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segunda-feira, janeiro 23, 2012

Espanha: monarquia moribunda?

Os sinais de desagregação da monarquia espanhola podem abrir caminho a uma república federal. Apostas?

America's Cup Building, Valencia, Spain by David Chipperfield Architects © Richard Walch

Os sucessivos escândalos que tolhem a decadente monarquia espanhola —anorexia da princesa Letízia, relação hipócrita entre os monarcas e corrupção à vista na casa real—poderão abrir caminho a uma transição pacífica da atual monarquia autonómica para um regime republicano de tipo federal. Tudo vai depender da carambola entre os escândalos monárquicos (cujo véu começa a levantar-se), o colapso inevitável do actual sistema autonómico, e a crise económica e social grave que afecta o país vizinho. Longe vão os tempos do triunfalismo democrático criado na alcova que uniu "socialistas obreros" e banqueiros arrivistas!

Valencia, el paradigma 'popular' de autonomía quebrada

“Es la segunda autonomía con mayor volumen de deuda (20.469 millones de euros); ha cerrado 262 camas hospitalarias en 2011; pagó in extremis a finales de año las nóminas de los profesores de colegios concertados y los 60 millones que debía a las farmacias; encabeza el ranking de fracaso escolar más alto de toda España (25%) y tiene a su ex presidente, Francisco Camps, sentado en el banquillo de los acusados por varios delitos de corrupción. La Comunidad Valenciana, tras modernizar la región de arriba abajo con más dinero del que tenía, busca ahora fórmulas para intentar contener el gasto y sacar a la región del atolladero en el que se encuentra.” El Confidencial.

Lembram-se de quando a Espanha, com condições naturais escandalosamente inferiores a Cascais (a prova em Valência teve que parar por falta de vento!) ganhou a realização da America's Cup? Pois é, a fatura não perdoa, e o processo autonómico caminha rapidamente para um beco sem saída :(

Los soberanistas catalanes alientan un nuevo frente contra Rajoy

“El presidente del grupo parlamentario de CiU en el Parlamento autonómico, Oriol Pujol, dejó claro ayer en la emisora RAC 1 que si Madrid no quiere hablar del tema, al Gobierno catalán no le queda otro recurso que tomar medidas, que podrían ir desde una consulta popular hasta un cierre de cajas, es decir, una insumisión fiscal. “No nos encontrarán tirando la toalla, sino al contrario”, subrayó Pujol.” El Confidencial.

O resultado do referendo escocês poderá ser decisivo para uma evolução rápida do processo de fragmentação federalista da Espanha.

Por outro lado, a suspensão da renovação da linha férrea entre o Porto e a Galiza pode encontrar nesta deterioração do centralismo madrileno/castelhano uma explicação mais do que plausível.

A União Europeia favorece objectivamente o renascimento das nações históricas do continente: Irlanda, Escócia, Catalunha, etc. No caso da Península Ibérica, a existência de uma federação espanhola, ou de uma federação ibérica, enfraqueceria, segundo alguns, a posição estratégica de Portugal. Não refleti ainda suficientemente sobre esta questão. Mas creio que é altura de começarmos a discutir o futuro da balsa ibérica!

Hors-texte (24-01-2012)

quinta-feira, novembro 15, 2007

Espanha

Año horribilis, eso dicen...



Ao contrário do que afirmou um locutor ligeiro da SIC (canal privado da televisão portuguesa), não foram elementos da extrema-direita espanhola que queimaram retratos do rei de Espanha, mas sim jovens universitários, na sua maioria autonomistas convictos, republicanos e tendencialmente de esquerda. O tema é muito mais sério do que parece e a ele me referi em texto anterior. Por outro lado, a recente visita dos reis espanhóis a Ceuta e Melilla pode ser justamente acusada de provocatória com base nos princípios descolonizadores aprovados pela ONU na sua declaração de 14 de Dezembro de 1960 (PDF). Finalmente, o disparate bourbónico em volta das diatribes políticas de Hugo Chávez -- tratando o presidente venezuelano como se fosse um índio do século XVII -- ameaça interromper o ciclo de prosperidade de um país (a Espanha), cujo enriquecimento nas últimas três décadas, embora assente em bases pouco sólidas (segundo alguns, demasiado especulativas), muito deve às intensíssimas relações comerciais e político-económicas que tem mantido com a América Latina ao longo dos últimos vinte ou trinta anos. Não sei se tudo isto foi pensado para ser assim, mas que a figura do rei espanhol entrou, apesar de alguma histeria em torno do macho ibérico, num plano inclinado irreversível, parece-me óbvio. Pior é impossível!



Depois da Cimeira dos Açores, que conduziu à invasão do Iraque, a Espanha proclamou de alguma forma a necessidade de se virar de novo para o Atlântico, depois de perceber que a parte oriental da Eurásia será sempre o resultado dinâmico, frequentemente instável, das triangulações estratégicas entre Paris, Berlim, Moscovo e Istambul, e que a França, por outro lado, não largará de mão a sua especial influência no Norte de África, incluindo, obviamente, Marrocos. Acontece que este movimento da antiga potência imperial, hoje sem a menor possibilidade de recuperar o poder económico e militar que outrora foi seu, encontra inevitavelmente quatro obstáculos pela frente: Portugal e Marrocos, o Brasil (uma das quatro potências emergentes do BRIC) e a contestação cada vez mais visível dos países "ibero-americanos" ao ex-colonizador. A monarquia espanhola, à semelhança da inglesa, mas ao contrário das holandesa e dinamarquesa, entre outras, não é transparente, nem presta contas dos seus rendimentos. O que em democracia é fraco argumento para manifestações de superioridade relativamente seja a quem for.

A única vez que cumprimentei Letizia, em Praga, pareceu-me uma criatura ausente. Antecipação de um reinado improvável?

Ou muito me engano, ou o incidente que marcou a XVII Cumbre Iberoamericana - Chile 2007, vai transformar-se paulatinamente num distanciamento claro da Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Cuba, e mais alguns países ibero-americanos, da antiga potência colonial. Na realidade, esta não lhes pode oferecer grande coisa, e mostrou ser capaz, nas últimas décadas, de controlar recursos e empresas estratégicas desses países, apoiando ao mesmo as corruptas e decadentes elites que há séculos se comportam como "burguesias compradoras", insensíveis e autoritárias, principais responsáveis pelo atraso económico, político e cultural da América Latina.

A criação de um mercado comum na América do Sul, iniciando um processo estratégico de longo prazo, semelhante ao da União Europeia, do que menos precisa é de permitir que os recursos estratégicos daquele vasto e riquíssimo sub-continente fiquem à mão de semear de antigas potências coloniais, como a Espanha e a Inglaterra (e em geral a Europa.) A âncora que faltava para este novo projecto de libertação já existe e chama-se Brasil. Por outro lado, a protecção de que a nova América Latina precisa, no grande jogo da estratégia global em curso, até agora imposta de modo hegemónico pela aliança anglo-americana, tem vindo a encontrar na China uma interessada e promissora alternativa. A China precisa da América do Sul e esta precisa da China (1). O noivado vai muito adiantado, e é por aqui que devemos descodificar a cena canalha que acabou com as cimeiras ibero-americanas. Nós, europeus, temos que reaprender o caminho difícil da humildade.



NOTAS
  1. 15-11-2007 22:40. VENEZUELA Y CHINA TIENEN APRECIACIONES COINCIDENTES RESPECTO DE LOS GRANDES TEMAS DE ESTOS TIEMPOS. Beijíng, 15 de noviembre de 2007 (Prensa-MPPRE ).

    Al concluir una Visita de Trabajo de tres días a la República Popular China, el Ministro venezolano del Poder Popular para Relaciones Exteriores, Nicolás Maduro Moros, destacó que ambos países tienen apreciaciones coincidentes en cuanto a lo que considera los grandes temas de estos tiempos.

    Durante su permanencia en China, el Canciller venezolano se entrevistó con altos representantes del gobierno del país asiático, incluyendo a su homólogo Yang Jiechi; el director de Relaciones Internacionales del partido Comunista Chino, Wang Jia Rui; el Viceministro del Consejo de Estado para la lucha contra la pobreza, Wang Guoliang, y Li Changchun, miembro del Poliburó del PCCh.

    En una conferencia de prensa que ofreció al final de su visita, expresó su complacencia por los resultados de los acuerdos de cooperación suscritos entre Venezuela y China, como parte de la alianza estratégica que han conformado ambos países.

OAM 277, 15-11-2007, 14:05