segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Fiquei sem gasolina!


O nosso principal problema coletivo não é o clima, mas a falta de petróleo.


“England Governor Mark Carney have warned investors it’s a matter of time before reserves are “stranded” in the ground.” Bloomberg

Já alguma vez passou pela experiência exasperante de não ter atestado o depósito antes de uma grande viagem e acabar parado numa estrada deserta sem saber o que fazer, desejando apenas que alguém passasse por si e fizesse o favor de o ajudar a encontrar uma pinga de gasolina? Eu já, por mais de uma vez! Só nestas alturas é que damos real valor a um litro de gasolina e ao que somos capazes de fazer com este precioso líquido.

Pois bem, o mundo anda a viajar desde 2007 alheado do facto de o seu depósito de petróleo estar a encolher.

Se pudessemos manter o atual estilo de vida e continuar a incrementar 1% ao ano ao consumo mundial de petróleo de 2015—91,6 milhões de barris por dia, ou seja, 33434 milhões de barris por ano—, em 2040 (daqui a pouco mais de duas décadas) precisaríamos de encontrar quatro Arábias Sauditas, ou seja, 40 milhões de barris de petróleo por dia, para não ficarmos todos parados no meio da estrada sem saber o que fazer.

Só para termos uma ideia do que isto significa, basta dizer que o boom do famoso petróleo de xisto americano apenas conseguiu produzir na sua máxima força, 4,3 milhões de barris de petróleo manhoso por dia.


Em 2015, as reservas acumuladas dos dez maiores produtores de petróleo do planeta somavam 1440 mil milhões de barris. Por sua vez, o consumo no mesmo ano andou pelos 91,6 mb/d, ou seja, 33 mil milhões de barris por ano. Se a procura se mantivesse inalterada, as reservas dos dez maiores produtores mundiais dariam para 43 anos, ou seja, até 2060.

Há, porém, dois problemas:
  1. a procura cresce moderadamente, mas cresce, mais ou menos, 1% ao ano;
  2. por outro lado, a oferta tende a decrescer, prevendo-se que acabe por abrir um buraco cada vez maior, o qual em 2040 poderá ser da ordem dos 15 mil milhões de barris.
Os transportes dependem em 80% do petróleo (diesel, gasolina, jet fuel). Por sua vez, as energias renováveis representam e continuarão a representar, por muito tempo, uma percentagem negligenciável da nossa dependência do petróleo, do carvão e do gás natural. Ou seja, vamos ter que simplificar a nossa vida se quisermos sobreviver.

A nossa dependência dos combustíveis fósseis—refiro-me agora ao nosso país— é particularmente dramática, pois somos importadores de crude, de carvão e de gás natural, e, por outro lado, os governos habituaram-se a financiar com impostos aplicados aos combustíveis petrolíferos a dívida imparável do estado hipertrofiado que temos. A combinação é explosiva, dela resultando a inevitabilidade do colapso político dos governos sempre que o preço do barril de petróleo suba acima dos 60 ou dos 80 dólares durante mais de seis meses. 

Conclusão: muito antes de 2040, bem antes de 2030, e antes mesmo de 2020, ou discutimos este tema a sério, ou dificilmente evitaremos uma crise muito grave e duradoura no país, com a possível perda total da nossa soberania.

Recomendo, a propósito, a leitura dos seguintes artigos:

Saudi Arabia's Oil Wealth Is About to Get a Reality Check
by Javier Blas  and Wael Mahdi

Oops! The economy is like a self-driving car

The Swedish parliamentarians receive the book, “A world addicted to oil”

Multi-Asset—Natural Resources & Energy
September 2016
By: Kim Fustier, Gordon Gray, Christoffer Gundersen and Thomas Hilboldt

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Estado, um predador fiscal



Em 31 países desenvolvidos, Portugal é o que mais taxa os altos rendimentos, logo depois da Suécia, e a par da Bélgica.

A consequência desta espécie de fascismo fiscal, nomeadamente sobre os contribuintes de elevada capacidade patrimonial—como lhe chamou a toupeira escondida com rabo de fora, José Azevedo Pereira (1)—, além do estímulo à não criação de emprego, ao planeamento e evasão fiscal, e à economia paralela, é uma deprimente punição das profissões mais qualificadas e mais especializadas, precisamente a base de todo o desenvolvimento moderno, escrevem Alexander Fritz Englundi e Jacob Lundberg, autores do estudo recentemente publicado, cuja leitura se recomenda.

The taxation of high-income earners An international comparison 
Alexander Fritz Englundi and Jacob Lundberg
EPiCENTER, European Policy Information Center 

The effective marginal tax rate [Investopedia: marginal tax rate] is the total tax on the last euro earned, taking into account income tax as well as social contributions and consumption taxes. Considering only income taxes does not provide the whole picture of the distortionary effects of the tax system. This paper presents a unique compilation of effective marginal tax rates on top incomes in 31 developed countries. Sweden tops the list, at 75 percent. Slovakia has the lowest effective tax rate at 36 percent. Most western European countries are in the range 55 to 70 percent. The American top effective marginal tax rate is estimated to be 48 percent. High marginal tax rates drive a wedge between private and social returns to economic activity and thus hurt incentives to work.

(...)

Effective marginal tax rates for high-income earners in 31 developed countries are shown in the diagram [above]. The countries studied are the EU15, the G7 and some other advanced economies. The highest effective tax rates – more than 70 percent – are found in Sweden, Belgium, Portugal, Slovenia and France. The Netherlands, the United Kingdom, Germany and Italy have tax rates between 55 and 60 percent. In Spain, Switzerland and the United States, about one half of high-income taxpayers’ additional earnings are paid in taxes. This implies that they get to keep twice as much of a raise than Swedish high-income earners do. The lowest marginal tax rate is found in Slovakia, at 36 percent.

[...]

High marginal tax rates make it less worthwhile to supply labour on the formal labour market and more worthwhile to spend time on household work, black market activities and tax avoidance. Therefore, the tax system punishes specialization, which is the foundation of a modern economy.


Texto completo

NOTAS

  1. António Costa, o Presidente da República, Ferro Rodrigues e a Geringonça, aflitos com a embrulhada que vai pela Caixa Geral de Depósitos, sobre a qual querem manter o mais escabroso sigilo, resolveram tirar um azevinho da cartola: a criatura que José Sócrates escolheu em 2007 para substituir Paulo Macedo na poderosa direção-geral dos impostos. Entre 2007 e a queda do governo do PS, em março de 2011, para o então diretor-geral tudo ia bem no reino fiscal. Passos Coelho manteve José Azevedo Pereira no cargo até 2014. Depois de sair do governo, regressando ao seu ISEG, onde foi prontamente promovido a vice-presidente, o circunspeto doutor economista descobriu no final de 2015, em plena estreia da Geringonça, que 240 (ou 260) contribuintes de elevado património não pagavm praticamente impostos sobre os rendimentos, tendo sido chamado ao parlamento para esclarecer esta extraordinária descoberta. No programa Negócios da Semana de 10.12.2015 até confessou que cerca de 900 famílias residentes com rendimentos acima de 5 milhões por ano, ou mais de 25 milhões de património acumulado, pagavam menos de 0,5% de IRS. Agora, certamente inspirado pelo sucesso da Geringonça, resolveu denunciar um suposto caso de encobrimento de fugas de capital para paraísos fiscais, cuja responsabilidade só poderia ser assacada a Paulo Núncio, o secretário de estado das finanças do governo PSD-CDS. O enredo dava um filme de série B sobre a sórdida e indigente política que temos. Boa foi a imediata resposta de Pedro Passos Coelho: ao contrário do que a Geringonça e o Presidente da República querem fazer com a Caixa—encobrir dos seus acionistas os 50 maiores devedores da instituição e alguns muito prováveis casos de polícia—exige que se inquira com total eficácia e transparência este suposto caso de encobrimento governamental de uma suposta fuga ilegal de capitais. Pois, como é sabido, a fuga legal não é crime e vai de vento em popa!
Atualização: 25/02/2017 21:30 WET

Temos um problema


A mão invisível de Adam Smith


“By 2040 (...) the world could need to replace over 4 times the current crude oil output of Saudi Arabia (>40mbd), just to keep output flat.” 
—HSBC Peal Oil Report 2017

A economia é um sistema dissipativo, logo não é controlável inteiramente pelos governos.

Ou seja, a mão invisível a que se referia Adam Smith, mais do que uma questão ideológica, é da natureza dos seres vivos e dos seus sistemas económicos, tal como é da natureza dos tufões que se formam sobre as águas sobreaquecidas dos oceanos. Quanto têm condições favoráveis ao seu nascimento e desenvolvimento, tendem a expandir-se imoderadamente, até que os recursos começam a escassear, ou a ficar demasiado longe, exigindo cada vez mais tempo e trabalho para os alcançar, e morrem.

A consequência destas dinâmicas, a que, no caso dos períodos longos da vida humana, David Hackett Fischer chama price revolutions, é terminarem repentinamente sob a forma de um colapso, ou desastre, precedido por uma perda de controlo da situação, a que os autores do famoso relatótio de 1972, The Limits to Growth, chamaram overshooting.

Quando esta perda de controlo que precede o embate acontece num automóvel, tudo é muito rápido para quem assiste de fora, embora para o condutor o filme pareça correr em câmara lenta. Já quando se trata do acidente com um grande petroleiro, é possível observá-lo em tempo real como algo aparentemente evitável. O piloto do navio, porém, mostra-se incapaz de fazer o que quer que seja para impedir a colisão e o eventual naufrágio. Tal como neste último exemplo, é a escala dos acontecimentos que nos permite ou não perceber a tempo o que se vai passar. No caso da crise energética que teve início em 1970-73, só agora a aproximação do desastre começa a ser percebido por um número significativo de pessoas.

Dois artigos recentemente publicados—um de Gail Tvelberg, e outro escrito por um grupo de analistas para o HSBC, um dos maiores bancos do mundo— confluem na determinação das causas da turbulência económica, financeira, comercial, social, diplomática e militar que atingiu o mundo desde o colapso do Lehman Brothers. Dito muito simplesmente, a causa é esta: acabou a energia barata e acessível que permitiu a extraordinária aceleração civilizacional iniada no final dos século 19, pouco tempo antes do Jubileu da Rainha Vitória (1887).

O início do fim do crescimento explosivo proporcionado pelo uso intensivo de fontes de energia acessíveis e baratas como o carvão, o gás natural e o petróleo, e de novas energias como a eletricidade, ocorreu curiosamente antes da primeira grande crise petrolífera de 1973; ocorreu quando a taxa de crescimento demográfico mundial atingiu o seu próprio pico, em 1969 (ler também este post).

A principal conclusão que Gail Tvelberg retira da sua comparação do mundo globalizado com um sistema dissipativo, por definição aberto, é que só poderemos mitigar as dimensões trágicas do colapso (na minha opinião já em curso), por um lado, levantando faseadamente o pé da despesa pública, nomeadamente das despesas militares, e por outro, eliminando o excesso de controlos bancários e financeiros que empurram a riqueza dos países ricos para os países onde a energia e o trabalho são mais baratos, empobrecendo por esta via a grande maioria da população mundial, seja através da repressão fiscal, seja da usurpação das suas poupanças, como consequência da destruição das taxas de juro e do próprio dinheiro.

Por sua vez, as dez conclusões veiculadas pelo HSBC são cortantes, sobretudo esta: em 2040 precisaremos encontrar 4x a produção atual da Arábia Saudita, só para suprir as necessidades correntes de energia.

A leitura destes dois textos dispensaria boa parte da berraria parlamentar a que temos assistido.







Oops! The economy is like a self-driving car
Posted on February 20, 2017 by Gail Tverberg

Back in 1776, Adam Smith talked about the “invisible hand” of the economy. Investopedia explains how the invisible hand works as, “In a free market economy, self-interested individuals operate through a system of mutual interdependence to promote the general benefit of society at large.”

We talk and act today as if governments and economic policy are what make the economy behave as it does. Unfortunately, Adam Smith was right; there is an invisible hand guiding the economy. Today we know that there is a physics reason for why the economy acts as it does: the economy is a dissipative structure–something we will talk more about later.  First, let’s talk about how the economy really operates.

Our Economy Is Like a Self-Driving Car: Wages of Non-Elite Workers Are the Engine

Workers make goods and provide services. Non-elite workers–that is, workers without advanced education or supervisory responsibilities–play a special role, because there are so many of them. The economy can grow (just like a self-driving car can move forward) (1) if workers can make an increasing quantity of goods and services each year, and (2) if non-elite workers can afford to buy the goods that are being produced. If these workers find fewer jobs available, or if they don’t pay sufficiently well, it is as if the engine of the self-driving car is no longer working. The car could just as well fall apart into 1,000 pieces in the driveway.

If the wages of non-elite workers are too low, they cannot afford to pay very much in taxes, so governments are adversely affected. They also cannot afford to buy capital goods such as vehicles and homes. Thus, depressed wages of non-elite workers adversely affect both businesses and governments. If these non-elite workers are getting paid well, the “make/buy loop” is closed: the people whose labor creates fairly ordinary goods and services can also afford to buy those goods and services.

(...)

In theory, both debt and increased complexity can help the economy grow faster. However, as I noted at the beginning, it is the wages of the non-elite workers that are especially important in allowing the economy to continue to move forward. The greater the proportion of the revenue that goes to high paid employees and to bond holders, the less that is available to non-elite workers. Also, there are diminishing returns to adding debt and complexity. At some point, the cost of each of these types of turbo-charging exceeds the benefit of the process.

[...]

The economy is yet another type of a dissipative structure. This is why Adam Smith noticed the effect of the invisible hand of the economy. The energy that sustains the economy comes from a variety of sources. Humans have been able to obtain energy by burning biomass for over one million years. Other long-term energy sources include solar energy that provides heat and light for gardens, and wind energy that powers sail boats. More recently, other types of energy have been added, including fossil fuels energy.

When energy supplies are very cheap and easy to obtain, it is easy to ramp up their use. With growing supplies of energy, it is possible to keep adding more and better tools for people to work with. I use the term “tools” broadly. Besides machines to enable greater production, I include things like roads and advanced education, which also are helpful in making workers more effective. The use of growing energy supplies allows growing use of tools, and this growing use of tools increasingly leverages human labor. This is why we see growing productivity; we can expect to see falling human productivity if energy supplies should start to decline. Falling productivity will tend to push the economy toward collapse.

[...]

Now, in 2017, prices are “sort of” affordable for consumers, but they are not high enough for producers. Oil companies will go out of business if these low prices persist.

Back in 2007 and 2008, we had the reverse problem. Prices were high enough for producers, but too high for consumers (especially non-elite workers). This is a big part of what pushed the economy into recession.

[...]

Very few have realized that the economy cannot really shrink back very much; past history, as well as the nature of dissipative structures, shows that economies tend to collapse. The only economies that have at least temporarily avoided that fate have shifted toward less complexity–for example, eliminating huge government programs, such as armies–rather than yielding to the temptation to add ever more complexity, such as wind turbines and solar panels.

The real situation is that we have a here-and-now problem of too low wages for non-elite workers. Commodity prices are also too low. Intermittent renewables such as wind and solar are thought to be solutions, but it is well-known that intermittent renewables cause too-low prices for other types of electricity generation, when added to the electric grid. Thus, they are likely part of the low-price problem, not part of the solution. Temporary solutions, if there are any, are likely in the direction of cutting back on government expenditures and reducing regulation of banks. In fact, with the election of Trump and the passage of Brexit, the economy seems to again be re-optimizing.

Full text here

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Portela-Montijo


Pode explorar este mapa fazendo zoom sobre a solução Portela+Montijo

Vinci e Ryanair decidem o óbvio, mas foi preciso cair Sócrates, Salgado e estarmos endividados até ao tutano, para a realidade se impor.


A solução proposta por Rui Moreira, Rui Rodrigues e pela Blogosfera informada desde 2003 sempre foi Portela+1, ou seja Portela+Montijo. O Governo, esse, ainda anda a encomendar estudos à Goldman Sachs (certamente para pagar outras faturas...). Como afirmou Michael O'Leary, se tivessem encomendado o tal estudo à Ryanair esta manhã, tê-lo-iam pronto depois de almoço! (Negócios)

A necessidade de um novo aeroporto tem sido estudado desde o governo de Marcelo Caetano (1969). Já então se mandou proteger Alcochete, Canha e Rio Frio como possíveis zonas de construção de um futuro novo aeroporto de Lisboa (NAL). Quando a Portela deixasse de facto de chegar para as encomendas—o que, até hoje, nunca aconteceu—haveria que deslocar a principal infraestrutura aeroportuária do país para a margem esquerda do rio Tejo.

A saturação da Portela é um mito inventado por quem quis construir o NAL a qualquer preço, tendo por objetivo principal promover um grande negócio imobiliário e financeiro, sem cuidar da real necessidade de um novo aeroporto de raíz, do prejuízo que o fecho da Portela acarretaria a Lisboa, e até trazendo na algibeira a esperteza saloia de construir um aeroporto na Ota com o fito dissimulado de boicotar a expansão do Aeroporto Sá Carneiro e a criação de um verdadeiro e importante aeroporto internacional no noroeste peninsular!

Basta consultar este sítio—Online Coordination System— para se perceber que os slots da Portela, isto é, a disponibilidade para aterrar e descolar aeronaves, só estão diariamente saturados (e nem sempre) entre as 8 e as 9 da manhã, e às sextas-feiras, entre as 7 e a 8 da tarde. O resto do tempo, e é muito, sobram slots para dar e vender. Basta comparar a área verde dos mapas de disponibilidade da Portela com a de outros aeroportos por essa Europa fora para percebermos que o mito da saturação da Portela não passa mesmo de uma quimera destinada a atingir fins realmente inconfessáveis

Isto não significa que não seja útil aumentar capacidade do Aeroporto de Lisboa para acomodar mais tráfego, precisamente naquelas horas saturadas e que são muito procuradas pelos operadores: entre as 8 e a 9, e entre as 19 e as 20. Mas para isto não é necessário, nem aumentar artificialmente as operações da TAP, levando-a, como levaram, à ruína (sem TAP não há necessidade de novo aeroporto, na medida em que mais de metade dos voos de e para a Portela são voos TAP), nem prestar um persistente mau serviço de handling, nem ter atrasado a linha de Metro da Portela, na esperança de ver nascer nos seus terrenos alienados a famosa Alta de Lisboa, do senhor Ho. O truque era simples: forçar o fim da Portela, e com o dinheiro da venda dos terrenos construir o NAL da Ota, ou o NAL da Ota em Alcochete. Escusado será dizer que, entretanto, a venda da ANA à Vinci rendeu bom dinheiro ao Estado (falido), à Câmara Municipal de Lisboa e à campanha eleitoral de Fernando Medina. Ou seja, para Alcochete sobrou zero!

Em dois anos e meio a Ryanair passou de zero a 27% dos passageiros movimentados na Portela, e 41% dos movimentos. Quando o Terminal dos Flamingos no Montijo (qual Aeroporto Mário Soares!) inaugurar, a companhia irlandesa já terá ultrapassado a TAP na Portela, tal como já aconteceu em Faro e no Porto.

A solução finalmente anunciada, e por nós insistentemente defendida, acabou por ser uma não decisão deste governo (pobre Pedro Marques), que sobre esta matéria andou literalmente a vaguear, mas antes uma imposição da Vinci e da Ryanair, que o governo teve que acabar por assumir, sob pena de, não o fazendo, ver as Low Cost debandarem para outras paragens enquanto a TAP (cujas dívidas todos gostaríamos de saber onde param) definha por óbvia falta de capital e, sobretudo, de estratégia.

Eliminar a pista 17/35 seria uma asneira monumental




Só mais uma coisa: acabar com a pista 17/35 da Portela, que permite ao aeroporto ter uma das menores taxas de atrasos e desvios de voos por razões meteorológicas (FlightStats) do mundo, seria uma estupidez. Além do mais, se fosse construído um taxiway no fim da pista principal (ver mapa), por forma a não ser preciso atravessar a pista 17/35, a segurança seria largamente incrementada, e o número de movimentos poderia aumentar significativamente. Por algum motivo tanto a Portela como o Montijo têm pistas cruzadas. E o motivo é este: salvaguardar a operacionalidade dos aeroportos em caso de mudança ocasional de orientação dos ventos dominantes.

O mapa acima, que tive o prazer de editar com a solução Portela+Montijo, permite conhecer este tema com mais detalhe, e é uma alternativa às vozes das sereias que ciclicamente, a mando de interesses sempre obscuros, procuram seduzir e atrair para o precipício orçamental os mais incautos, que são muitos.

Tanto tempo perdido...

PS: ler também este post: Portela: um aeroporto seguro, e ainda o pdf sobre o prolongamento desejável do taxiway do Aeroporto de Lisboa, na Portela.


Última atualização: 27/2/2017 15:41 WET

Portugal 2020 e a ilha ferroviária portuguesa


Bitola europeia liga Espanha ao resto da Europa em 2019


Fomento pone fecha a la llegada del AVE a la frontera francesa: 2019 
El ministro de Fomento, Íñigo de la Serna, ha dicho que las obras de instalación del tercer carril entre Astigarraga e Irún, en Gipuzkoa, necesarias para la llegada del tren de alta velocidad hasta la frontera, podrían finalizar antes del verano de 2019 tras una inversión de más de 160 millones. 
El Economista, 18/02/2017

Ao contrário do que os indígenas insolventes andaram a propalar durante mais de uma década (rufando tambores contra o 'TGV'), a bitola europeia e a alta velocidade ferroviária espanhola chegarão a Irún e a França em 2019.

Ao mesmo tempo, Madrid descontinuará as ligações ferroviárias em bitola ibérica ao longo da fronteira espanhola com Portugal. deixando aos indígenas insolventes uma de duas alternativas: continuar a usar os TIR, ou passar a deixar as mercadorias nos portos secos que, entretanto Espanha começou a construir nas regiões de Salamanca e Badajoz.

A hipótese racional está agora mais longe de concretizar, pois os espanhóis cansaram-se das Cimeiras Ibéricas faz-de-conta. Ou seja, Portugal será muito em breve uma ilha ferroviária. A situação é tanto mais grave quanto o Pico do Petróleo é já assumido pelo sétimo maior banco do planeta (Forbes), o HSBC, e pela Shell—que aposta agora nas células de hidrogéneo.

O que os espanhóis conseguiram—romper a fronteira ferroviária com a França, chegando assim ao resto da Europa— os portugas que faliram Portugal, obviamente não.

Só mais uma coisinha: descontinuada a bitola ibérica em Espanha, todo o 'hardware', 'software' e capacidade técnica (antiquada) dos caminhos de ferros portugueses passarão a ter que ser gerados apenas em Portugal. Basta ver o que está a acontecer na Linha de Cascais para intuir o que tal significa...


Um dia destes, uma qualquer nova Vinci chegará a Lisboa (com capital fresco) e imporá a solução racional que deveria ter sido adotada assim que os fundos europeus decidiram financiar a chamada interoperabilidade ferroviária e a rede europeia integrada de transportes. Foram milhares de milhões de fundos e empréstimos comunitários que Portugal não aproveitou, ou derreteu em manobras, desvios e 'power points' inconfessáveis.

Mais um sub-setor dos transportes—o ferroviário— que a incúria, o populismo e a corrupção dos nossos políticos—do CDS ao PCP—colocará ao colo de um país estranegiro. A Espanha, tal como o Santander fez, aguarda pacientemente a oportunidade.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

A mercearia orçamental do défice




Se ao menos a economia crescesse


A mercearia orçamental da Geringonça, de A a Z, vista por Pedro Romano no blog Desvio Colossal

Detalhada explicação (independente) de como uma aliança de partidos de esquerda e extrema esquerda aplicou um programa de austeridade chamando-lhe outra coisa. Esta batota orçamental assentou em cinco pilares: 

  1. sobre-orçamentação, que deu origem a cativações, algumas delas definitivas, deixando milhares de fornecedores do Estado a penar, ou mesmo a arder, agravando a degradação de muitos serviços (escolas a meter água e sem segurança, ou hospitais sem compressas são dois exemplos relatados pelos jornais e televisões),
  2. corte drástico no invesvimento público, 
  3. atrasar e diminuir os pagamentos antecipados ao FMI, 
  4. aumentos de impostos e de receitas fiscais extraordinárias, com destaque para os aumentos seletivos e discricionários dos combustíveis,
  5. atirar a despesa da recapitalização da Caixa para 2017. 
Valeu tudo para manter António Costa no poder a que acedeu sem ganhar as eleições.

A economia cresceu em média anual, nos últimos 20 anos 1,18% (Trading Economics), e em 2016 terá andado pelos 1,4% (INE), com uma inflação mais pronunciada, um novo desequilíbro nas contas externas (mais importações do que exportações) e taxas de juros na divida pública a 10 anos em volta dos 4,2% (Expresso).

Como desde o início da Geringonça afirmei, a austeridade iria continuar, embora o esforço da mesma devesse ser distribuído de modo ideologicamente distinto. A melhoria ténue no crescimento é uma melhoria importada, e não mérito do governo. Basta pensar no turismo que fugiu para Espanha e Portugal dos horrores e instabilidade vividos no norte de África, Turquia e Médio Oriente, na fuga de reformados e futuros reformados franceses para o nosso país, ou na estratégia das companhias aéreas Low Cost, ao arrepio da estratégia ruinosa da TAP.

2017 é um ano politicamente incerto, embora os dados económico-financeiros até agora conhecidos continuem a sustentar a tendência para uma saída ténue do buraco de 2010-2012 (OCDE). O programa de ajustamento imposto pelos credores externos prossegue, embora com menos agressividade. Três factos o demonstram: 
  • Portugal continua sob o chamado procedimento em caso de défice excessivo (PDE), 
  • a Troika continuará a monitorizar de perto a economia e as finanças portuguesas até 2035, 
  • e a banca portuguesa tem uma autonomia de decisão claramente limitada pela Direção-Geral da Concorrência da UE e pelo BCE.
Tudo somado, a Geringonça tem, pelo lado das perspetivas económico-financeiras, margem de sobrevivência até ao fim da legislatura. Resta saber se a erosão eleitoral dos partidos à esquerda do PS permitirá tanta longevidade.

domingo, fevereiro 19, 2017

Very fake news



Presidente dos Estados Unidos: conferência de imprensa de 16 de fevereiro de 2017


Vale a pena ouvir esta conferência de imprensa do presidente dos EEUU (via CNN), do princípio ao fim, em vez de perder tanto tempo com o futebol, os crimes, a propaganda governamental desatinada e as selfies narcisistas do nosso presidente, um género de comunicação social terceiro-mundista que funciona como uma verdadeira engenharia social, de que nem os próprios agentes porventura têm plena consciência.

O estado de indigência da imprensa portuguesa é tal, que voltámos ao tempo em que para obter informação fidedigna temos que recorrer às agências informativas internacionais. Menos mal que existe a Internet!

Partido Liberal, ou Partido Liberal Democrático?


Será desta? O tempo urge...


É uma associação, mas ainda não é um partido. Tem membros, mas ainda não tem militantes. Tem uma visão de sociedade, mas ainda não tem um manifesto final. Um grupo de liberais — sem medo de serem acusados de “papões neoliberais” — criaram em setembro a Associação Iniciativa Liberal. O objetivo final é criar um partido liberal em Portugal, ao estilo do Ciudadanos (Espanha) ou dos Lib Dems (Reino Unido). Já começou a recolha de assinaturas para a constituição de um partido que, no espectro político, estará situado ao centro (entre o PSD e PS). 
—in “Vêm aí os liberais. Não são papões e querem criar um partido”
Observador, 14/1/2017, 9:18

O cesarismo bicéfalo saído do impasse das últimas eleições legislativas, que deu origem a um governo minoritário dependente do poder legislativo, ferindo gravemente o equilíbrio dos poderes constitucionais, esgotou-se mais cedo do que eu previa. Nem o primeiro ministro, nem o presidente da república estão à altura das cicunstâncias. Em breve colapsará.

O pântano partidário onde Portugal está mergulhado só mudará se houver um novo partido parlamentar em cena, com ideias novas, princípios firmes e coragem. O oportunismo de curto prazo e a falta de ética e transparência tornaram-se o principal guia comportamental da partidocracia instalada. Nem o PCP, nem o Bloco, escapam a esta teia de corrupção.

A omnipresença propagandística dos partidos nos meios de comunicação social tornou-se asfixiante.

Os resultados para o regime, ao fim de quase quarenta anos de democracia populista e clientelar, são sobejamente tristes:
  • a perda para o exterior de 70% do nosso sistema bancário e financeiro e a submissão do único banco público existente a um apertado controlo por parte das instituições credoras; 
  • a alienação das principais empresas estratégicas portuguesas, da energia às telecomunicações, dos aeroportos aos portos, e até de algumas concessões hospitalares e rodoviárias, aos chineses, espanhóis, angolanos e franceses. No caso da Vinci, participada pelos árabes do Qatar, o grande patrono dos Clinton e do Estado Islâmico! 
  • vinte anos a crescer menos de 0,5% ao ano, com uma dívida acima dos 130%, e uma emigração como não se via desde os anos 60 do século passado, então sobretudo causada por uma guerra colonial travada em três frentes;
  • uma população envelhecida e com as poupanças exauridas pela especulação, pelo engano político, por um estado burocrático e partidário insustentável, e pelo fascismo fiscal;
  • em suma, um país falido que só não cairá numa nova ditadura, de direita ou de esquerda, enquanto estiver protegido pela União Europeia e pelo Banco Central Europeu.
O pensamento liberal, na aceção de um pensamento político estruturado e claro, existe, mas falta-lhe voz pública e organização. Quanto mais se atrasar, mais difícil será sairmos do estado exangue em que a nossa democracia se encontra.


REFERÊNCIA

Manifesto Liberal

sábado, fevereiro 11, 2017

António Maria, Tinto

António Maria—Tinto 2011


Quem diria que este blog tem um irmão gémeo em modo vínico;) 

Há que prová-lo!


O António Maria tinto é um vinho que tem o nome deste blog e que serve muito bem para remunerar os neurónios e as papilas gustativas do seu autor. Se me lê com regularidade aqui vai uma sugestão para patrocinar a minha enoteca, sempre exaurida de boas pomadas.

PS: há quem afirme que a relação preço-qualidade deste vinho deixa algo a desejar. Mas este é, creio, um dos problemas da maioria dos vinhos alentejanos. Tiques latifundiários.

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Depois do crescimento

demografia mundial
Em todas as áreas azuis a população deixou de crescer e envelhece.


Estagnação demográfica, envelhecimento e o fim da energia barata.


Olhando para o gráfico da demografia mundial entre 1961 e 2015, verificamos que a taxa de crescimento começou a cair em 1969 (2,1%), estando em 2015 nos 1,18%. No entanto, a população continua a crescer, sobretudo no continente africano.

As regiões com maior rendimento per capita do planeta—Estados Unidos, Canadá, Europa ocidental, Austrália, Japão—estão em processo de envelhecimento acelerado e estagnação demográfica. Mas não só: China, Brasil e Rússia, por exemplo, encontram-se em situação semelhante. O crescimento demográfico em países como o México, ou na América do Sul à exceção do Chile e Brasil, em França, na Arábia Saudita e Turquia, no Casaquistão e na Mongólia, Índia, Paquistão, Malásia, Indonésia e Nova Zelândia, situa-se entre os 2 e os 3 filhos por mulher, havendo assim nalguns destes países renovação geracional efetiva. Só em África se verifica ainda aquilo a que poderíamos chamar uma explosão demográfica, sobretudo nas regiões subsarianas e no centro do continente.

África já é o segundo continente mais populoso do planeta, depois da Ásia central e do sul. Até 2030 terá mais 493 milhões de pessoas (passando dos atuais 1.186 milhões para 1.679 milhões), e em 2050 haverá mais 1.292 milhões do que hoje, ou seja, o continente africano terá então uns 2.478 milhões de almas. Se pensarmos apenas nos grandes países de língua portuguesa, em 2030 Brasil terá +20 milhões de pessoas (207.848 > 228.663), Angola, +14 milhões (25.022 > 39.351), e Moçambique, +13 milhões (27.978 > 41.437).

Olhando para o mapa acima percebe-se até que ponto os países que deixaram de crescer demograficamente (a Península Ibérica, se nada fizer, perderá 700 mil pessoas até 2030), ou acolhem população jovem de outros continentes, ou morrem de velhos, provavelmente no meio de grandes convulsões sociais. Falta, porém, saber como programar o inadiável rejuvenescimento destas sociedades demograficamente estagnadas, sem causar dramas como os que hoje afligem a Europa, lançando os países numa corrida populista em direção ao abismo. Precisamos de discutir sem complexos estes temas.

Uma das origens da estagnação demográfica e económica é o fim da energia barata, bem como de outras matérias primas que, tal como o petróleo e o gás natural, só são baratas se forem abundantes e de fácil acesso. Durante algumas décadas o endividamento público e privado escondeu a realidade dos preços, ou seja, que os recursos necessários à economia e à vida das pessoas se tornaram demasiado caros quando comparados com os rendimentos declinantes do trabalho. Hoje, com as bolhas financeiras a rebentarem por toda a parte, o crescimento real praticamente estagnado, desemprego e falta de novos empregos, percebe-se que a queda da procura agregada mundial veio para ficar (ainda que possa aumentar até 2030-40, moderadamente, pelo efeito induzido pelo crescimento da população mundial) e vai impor alterações radicais nas sociedades. Poderá mesmo interromper a globalização competitiva baseada no desenvolvimento assimétrico, provocando o regresso das soberanias nacionais. Também neste ponto há necessidade de abordar os temas com imaginação, nomeadamente no que toca à sempre possível fragmentação da União Europeia e do euro. A este propósito, o Brexit, por um lado, e a experiência alemã, por outro, serão provavelmente os melhores observatórios para acompanhar este problema e esta discussão. 

Algumas ilusões tecnológicas devem, entretanto, ser afastadas da nossa imaginação e sobretudo da nossa agenda política. Uma destas ilusões é a das energias renováveis. A outra é a de que o nosso maior problema são as alterações climáticas, as quais, por sua vez, legitimam a corrida ruinosa pelas energias eólica e fotovoltaica, ou a criação de novas bolhas especulativas, como o chamado mercado das emissões de carbono. Finalmente, a ideia de substituir tabalho humano por máquinas inteligentes não é nova e acelera há alguns anos na vertente informática, da inteligência computacional e da robótica. Esta aceleração poderá resolver alguns problemas associados ao envelhecimento e à estagnação demográfica, mas padece do mesmo mal que as indústrias tradicionais: precisa de muita energia, e se esta for cara, os produtos finais, sejam estes de natueza material ou imaterial, serão igualmente caros, mantendo-se assim a tendência já instalada e de longo prazo (60 a 100 anos) para a quebra acentuada da procura agregada mundial. No entanto, a combinação entre conhecimento e crise poderá ser a mistura necessária para uma transição pacífica das sociedades perdulárias, agonísticas e desiguais contemporâneas em direção a uma ordem social mais equilibrada. Veremos...


REFERÊNCIAS




Policy Makers, like Generals, Are Busy Fighting The Last War
Econimica, Saturday, January 21, 2017

1. The Global Population of Young (Future Consumer Base) Ceased Growing...30 Years Ago.

2. The Worlds Population is Still Growing Due to a Surge in the Elderly Living Longer and High African Birthrates Offsetting Global Depopulation of Young.


The “Wind and Solar Will Save Us” Delusion

The “Wind and Solar Will Save Us” story is based on a long list of misunderstandings and apples to oranges comparisons. Somehow, people seem to believe that our economy of 7.5 billion people can get along with a very short list of energy supplies. This short list will not include fossil fuels. Some would exclude nuclear, as well. Without these energy types, we find ourselves with a short list of types of energy — what BP calls Hydroelectric, Geobiomass (geothermal, wood, wood waste, and other miscellaneous types; also liquid fuels from plants), Wind, and Solar.

Unfortunately, a transition to such a short list of fuels can’t really work. These are a few of the problems we encounter:

[1] Wind and solar are making extremely slow progress in helping the world move away from fossil fuel dependence.

[2] Grid electricity is probably the least sustainable form of energy we have.

[3] Our big need for energy is in the winter, when the sun doesn’t shine as much, and we can’t count on the wind blowing.

[4] If a family burns coal or natural gas directly for winter heat, but then switches to electric heat that is produced using the same fuel, the cost is likely to be higher. If there is a second change to a higher-cost type of electricity, the cost of heat will be even greater. 

[5] Low energy prices for the consumer are very important. Unfortunately, many analyses of the benefit of wind or of solar give a misleading impression of their true cost, when added to the electric grid. 

[6] If we want heat in the winter, and we are trying to use solar and wind, we need to somehow figure out a way to store electricity from summer to winter. Otherwise, we need to operate a double system at high cost.

[7] There are a few countries that use an unusually large share of electricity in their energy mixes today. These countries seem to be special cases that would be hard for other countries to emulate.

[8] Hydroelectric power is great for balancing wind and solar, but it is available in limited quantities. It too has intermittency problems, limiting how much it can be counted on. 

[9] If we need to get along without fossil fuels for electricity generation, we would have to depend greatly on hydroelectric power. Hydro tends to have considerable variability from year to year, making it hard to depend on.

[10] There has been a misunderstanding regarding the nature of our energy problem. Many people believe that we will “run out” of fossil fuels, or that the price of oil and other fuels will rise very high. In fact, our problem seems to be one of affordability: energy prices don’t rise high enough to cover the rising cost of producing electricity and other energy products. Adding wind and solar tends to make the problem of low commodity prices worse.   

[...]

If we want to operate a double system, using wind and solar when it is available, and using fossil fuels at other times, the cost will be very high. The problem arises because the fossil fuel system has many fixed costs. For example, coal mines and natural gas companies need to continue to pay interest on their loans, or they will default. Pipelines need to operate 365 days per year, regardless of whether they are actually full. The question is how to get enough funding for this double system.

[...]

A different pricing system that works much better in our current situation is the utility pricing system, or “cost plus” pricing. In this system, prices are determined by regulators, based on a review of all necessary costs, including appropriate profit margins for producers. In the case of a double system, it allows prices to be high enough to cover all the needed costs, including the extra long distance transmission lines, plus all of the high fixed costs of fossil fuel and nuclear power plants, operating for fewer hours per year.

Of course, these much higher electricity rates eventually will become unaffordable for the consumer, leading to a cutback in purchases. If enough of these cutbacks in purchases occur, the result will be recession. But at least the electricity system doesn’t fail at an early date because of inadequate profits for its producers.

Conclusion

The possibility of making a transition to an all-renewables system seems virtually impossible, for the reasons I have outlined above.


Exposed: How world leaders were duped into investing billions over manipulated global warming data 

PUBLISHED: 22:57 GMT, 4 February 2017 | UPDATED: 15:12 GMT, 5 February 2017

The Mail on Sunday today reveals astonishing evidence that the organisation that is the world’s leading source of climate data rushed to publish a landmark paper that exaggerated global warming and was timed to influence the historic Paris Agreement on climate change.
A high-level whistleblower has told this newspaper that America’s National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) breached its own rules on scientific integrity when it published the sensational but flawed report, aimed at making the maximum possible impact on world leaders including Barack Obama and David Cameron at the UN climate conference in Paris in 2015.

[...]

In an exclusive interview, Dr Bates accused the lead author of the paper, Thomas Karl, who was until last year director of the NOAA section that produces climate data – the National Centers for Environmental Information (NCEI) – of ‘insisting on decisions and scientific choices that maximised warming and minimised documentation… in an effort to discredit the notion of a global warming pause, rushed so that he could time publication to influence national and international deliberations on climate policy’.

[...]

Dr. Bates revealed that the failure to archive and make available fully documented data not only violated NOAA rules, but also those set down by Science. Before he retired last year, he continued to raise the issue internally. Then came the final bombshell. Dr Bates said: ‘I learned that the computer used to process the software had suffered a complete failure.’
The reason for the failure is unknown, but it means the Pausebuster paper can never be replicated or verified by other scientists.


Harnessing automation for a future that works
By James Manyika, Michael Chui, Mehdi Miremadi, Jacques Bughin, Katy George, Paul Willmott, and Martin Dewhurst
McKinsey report

The automation of activities can enable businesses to improve performance by reducing errors and improving quality and speed, and in some cases achieving outcomes that go beyond human capabilities. Automation also contributes to productivity, as it has done historically. At a time of lackluster productivity growth, this would give a needed boost to economic growth and prosperity. It would also help offset the impact of a declining share of the working-age population in many countries. Based on our scenario modeling, we estimate automation could raise productivity growth globally by 0.8 to 1.4 percent annually.


Atualização: 24 fevereiro 2017, 12:02 wet

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Draghi: ¡No pasa nada!


Alguma vez o BCE voltará a colocar no mercado o lixo financeiro que tem andado a comprar? Provavelmente, não. Hummmm...


...we decided to extend the asset purchase programme beyond March 2017, with the intention of conducting our purchases until the end of December 2017 or beyond, if necessary, and in any case until the Governing Council sees a sustained adjustment in the path of inflation consistent with its inflation aim. We will continue to purchase assets at a monthly pace of €80 billion until March. Starting from April, our net asset purchases will run at a monthly pace of €60 billion, and we will reinvest the securities purchased earlier under our programme, as they mature. This will add to our monthly net purchases. 
— in Introductory statement by Mario Draghi, President of the ECB, at the ECON committee of the European Parliament, Brussels, 6 February 2017 (more)

Como afirmou Draghi hoje, ¡No pasa nada! Ou seja, ninguém sabe como sair do ciclo de expansão monetária e repressão fiscal que disfarça o buraco negro do endividamento e da quebra agregada da procura mundial, e portanto, o QE irá prosseguir 'whatever it takes'.
Até lá, os fundos de pensões e as poupanças continuam a caminhar para zero.
Por enquanto, o negócio do BCE e do BoJ é este: 
—compram a si próprios obrigações a 0,45% e a 0,1% (150 mil milhões de dólares/mês!) que depois investem em títulos do Tesouro Americano, que paga 2,45%. Capiche? O Zé Povinho, como sempre, fica a ver navios, embora enquanto o pau vai e vem, os governantes, as administrações públicas e afins, e os pensionistas do setor público, vão recebendo regularmente os seus vencimentos. Até quando?
Vale a pena ler este post de Bill Bross na íntegra:

Happiness Runs
Janus Capital, February 6, 2017  
...in order to control volatility, and keep a floor under asset prices, central bankers may be trapped in a QE-forever cycle, (in order to keep the global system functioning). Withdrawal of stimulus, as has happened with the Fed in the past few years, seemingly must be replaced by an increased flow of asset purchases (bonds and stocks) from other central banks, as shown in Chart I. A client asked me recently when the Fed or other central banks would ever be able to sell their assets back into the market. My answer was "NEVER". A $12 trillion global central bank balance sheet is PERMANENT - and growing at over $1 trillion a year, thanks to the ECB and the BOJ. 
[...]
An investor must know that it is this money that now keeps the system functioning. Without it, even 0% policy rates are like methadone - cancelling the craving but not overcoming the addiction. The relevant point of all this for today's financial markets? A 2.45%, 10-year U.S.Treasury rests at 2.45% because the ECB and BOJ are buying $150 billion a month of their own bonds and much of that money then flows from 10 basis points JGB's and 45 basis point Bunds into 2.45% U.S. Treasuries. Without that financial methadone, both bond and stock markets worldwide would sink and produce a tantrum of significant proportions. I would venture a guess that without QE from the ECB and BOJ that 10-year U.S. Treasuries would rather quickly rise to 3.5% and the U.S. economy would sink into recession.

So what's wrong with financial methadone? What's wrong with a continuing program of QE's or even a rejuvenated U.S. QE if needed? Well conceptually at first blush, not much. The interest earned on the $12 trillion is already being flushed from central banks back to government fiscal authorities. One hand is paying the other. But the transfer in essence means that monetary and fiscal policies have joined hands and that the government, not the private sector, is financing its own spending. At an expanding margin, this allows the private sector to finance its own spending and fails to discriminate between risk and reward. $600 billion in the U.S. for instance goes into the repurchase of company stock, whereas before, investment in the real economy might have been a more lucrative choice. In addition, individual savers, pension funds, and insurance companies are now robbed of the ability to earn rates of return necessary to maintain long-term solvency. Financial Armageddon is postponed as consumption is brought forward and savings suppressed and deferred. 
more  

sábado, fevereiro 04, 2017

La La Land (a nostalgia de um sonho)



Um filme delicioso de ver e ouvir


Atores extraordinários—Ryan Gosling (Sebastian), Emma Stone (Mia)—numa realização extremamente inteligente de Damien Chazelle, e uma produção exemplar.

Todos somos alguma vez na vida os sonhos absolutos de amor e futuro deste filme. É esta memória individual e coletiva que recupera docemente em La La Land o tempo de um cinema (Week-end, Casablanca, West Side Story), de uma música (o Jazz) e de uma felicidade cultural (o Sonho Americano) cada vez mais longínquos.

Trump e a guerra de juizes

Témis, titã grega que representa a lei divina.

A justiça dos homens não é divina, infelizmente


O juiz Nathaniel Gorton anulara no dia 2 de fevereiro último a tentativa —promovida em Boston pela American Civil Liberties Union— de suspender o decreto de Trump sobre o controlo de fronteiras, seguindo esta argumentação:

1) a ordem executiva de Trump não menciona em parte alguma a expressão ‘países muçulmanos”, disse Gorton

2) ao que o advogado promotor da suspensão do decreto da Casa Branca replicou: “If your honor’s question is, ‘Does the word ‘Muslim’ make a profound presence in this executive order?,’ my answer is that it doesn’t,... But the president described what he was going to do as a Muslim ban and then he proceeded to carry it out.”

3) o juiz Nathaniel Gorton acabaria por encerrar a arguição expressa no ponto anterior com a seguinte pergunta retórica: “Am I to take the words of an executive at any point before or after election as a part of that executive order?”

Entretanto, poucas horas depois, um juiz de Seattle, nomeado por Bush, garantiu a suspensão temporária em todo o território americano da interdição decretada por Trump.

A imprensa portuguesa só relatou, que eu saiba, este último incidente jurídico, esquecendo o que se passou em Boston.

Reagindo à euforia noticiosa sobre a decisão do juiz de Seattle, a Casa Branca emitiu um comunicado afirmando que o Departamento de Justiça (DOFJ) contesta a decisão, e que daria de imediato seguimento ao pedido de suspensão urgente da “ultrajante ordem” do juiz Robart.

Mais tarde o próprio Trump ‘tweetou’ sobre este incidente: “The opinion of this so-called judge, which essentially takes law-enforcement away from our country, is ridiculous and will be overturned!”

Aguardam-se novos episódios desta guerra entre o poder executivo e o poder judicial, a qual parece questionar a separação de poderes que rege as constituições de todos os estados democráticos contemporâneos. Montesquieu estabeleceu no século 18 o princípio de separação de poderes—legislativo, executivo, judicial— como forma de permitir a evolução do absolutismo para o liberalismo e a democracia. O respeito pela separação de poderes é a marca de água que separa as democracias liberais das chamadas democracias populares e das ditaduras modernas, boa parte delas herdeiras de antigos regimes absolutistas, ou coloniais, e a quem a deformação leninista-trotsquista do marxismo deu suporte ideológico, sob a designação de ditadura do proletariado e/ou comunismo.

A batalha jurídica em curso é a ponta do icebergue que Donald Trump representa e que, numa ideia simples de expressar, se resume a dois vetores de ação estratégica: 1) interrupção da deriva ruinosa do globalismo (o 'Homem de Davos' morreu, afirmou o novo embaixador dos EUA junto da União Europeia numa entrevista à RT) e 2) eleição do expansionismo chinês como o principal adversário da supremacia americana. Rússia deixa de ser um problema, e a Alemanha é uma vez mais derrotada no seu sonho de controlar a Europa ocidental. O que está em jogo é pois de uma dimensão fraturante colossal.


atualização

Quinta-feira 9/2
Juízes decidem por unanimidade rejeitar novas alegações do DOJ para repor a ordem executiva sobre o controlo seletivo de fronteiras e a imigração.

No. 17-35105
D.C. No.
2:17-cv-00141
ORDER 
Motion for Stay of an Order of the
United States District Court for the
Western District of Washington
James L. Robart, District Judge, Presiding
Argued and Submitted February 7, 2017
Filed February 9, 2017
Before: William C. Canby, Richard R. Clifton, and Michelle T. Friedland, Circuit Judges 
Per Curiam Order 
[...] 
ORDER 
PER CURIAM 
At issue in this emergency proceeding is Executive Order 13769, “Protecting the Nation From Foreign Terrorist Entry Into the United States,” which, among other changes to immigration policies and procedures, bans for 90 days the entry into the United States of individuals from seven countries. Two States challenged the Executive Order as unconstitutional and violative of federal law, and a federal district court preliminarily ruled in their favor and temporarily enjoined enforcement of the Executive Order. The Government now moves for an emergency stay of the district court’s temporary restraining order while its appeal of that order proceeds. 
To rule on the Government’s motion, we must consider several factors, including whether the Government has shown that it is likely to succeed on the merits of its appeal, the degree of hardship caused by a stay or its denial, and the public interest in granting or denying a stay. We assess those factors in light of the limited evidence put forward by both parties at this very preliminary stage and are mindful that our analysis of the hardships and public interest in this case involves particularly sensitive and weighty concerns on both sides. Nevertheless, we hold that the Government has not shown a likelihood of success on the merits of its appeal, nor has it shown that failure to enter a stay would cause irreparable injury, and we therefore deny its emergency motion for a stay. 
[...] 
IX. Conclusion 
For the foregoing reasons, the emergency motion for a stay pending appeal is DENIED. 

Sábado 4/2
O apelo do Departamento de Justiça dos EUA foi rejeitado pelo tribunal de recursos. A batalha segue na próxima semana.
4/2/2017
UNITED STATES COURT OF APPEALS FOR THE NINTH CIRCUIT
The court has received appellants’ emergency motion (Docket Entry
No. 14). Appellants’ request for an immediate administrative stay pending full
consideration of the emergency motion for a stay pending appeal is denied.
Appellees’ opposition to the emergency motion is due Sunday, February 5,
2017 at 11:59 p.m. PST. Appellants’ reply in support of the emergency motion is
due Monday, February 6, 2017 at 3:00 p.m. PST. 

Sábado 4/2
O apelo do Departamento de Justiça dos EUA, entretanto enviado, reza assim:
PLEASE TAKE NOTICE that the defendants Donald Trump, in his official capacity as President of the United States; United States Department of Homeland Security; John F. Kelly, in his official capacity as Secretary of the Department of Homeland Security; Rex W. Tillerson, in his official capacity as Secretary of State; and the United States of America hereby appeal to the United States Court of Appeals for the Ninth Circuit from the February 3, 2017 Order (ECF No. 52) enjoining and restraining enforcement of portions of the January 27, 2017 Executive Order on Protecting the Nation from Foreign Terrorist Entry into the United States.

Atualização: 10/2/2017 00:36

Onde vem escrito 'países muçulmanos'?

Apenas 12,5% da população islâmica vive nos sete países da lista de interdição temporária

Donald Trump (Twitter, 3/2/2017) “We must keep “evil” out of our country!”


O mesmo argumento que usei no passado dia 31/1 —Não há nenhuma referência islamofóbica no decreto que tem originado tanta agitação programada. Além do mais, os países objeto de prevenção reforçada foram definidos pelos seus antecessores, Obama incluído—foi esta sexta feira, 2 de fevereiro, invocado pelo juiz Nathaniel Gorton na decisão que anulou a tentativa de suspender a aplicação da ordem executiva do presidente dos Estados Unidos.

Early on Sunday, a magistrate judge in Boston issued an injunction that for seven days blocked enforcement of the order, which the White House has contended is necessary for national security.
“Where does it say Muslim countries?” U.S. District Judge Nathaniel Gorton on Friday asked Matthew Segal, an attorney with the American Civil Liberties Union (ACLU) representing the plaintiffs in the Boston case.
“If your honor’s question is, ‘Does the word ‘Muslim’ make a profound presence in this executive order?,’ my answer is that it doesn’t,” Segal said. “But the president described what he was going to do as a Muslim ban and then he proceeded to carry it out.”
Gorton shot back, “Am I to take the words of an executive at any point before or after election as a part of that executive order?”
- See more at: Zero Hedge
O abuso das metáforas por parte do actual presidente americano não faz mais do que responder na mesma moeda à linguagem arcaica usada nos comunicados dos fundamentalistas radicais islâmicos. Podemos não gostar, mas em si mesmo não passa de um estilo de comunicação. O que é mais intrigante e importa perceber é a nova estratégia que aparentemente se esconde detrás da nova retórica tática americana. E também o que move a reação epidérmica, mas violenta, das elites que acabaram e perder as eleições. A rapidez e a sucessão vertiginosa dos tweets de Trump, mais do que o estilo ordinário dos mesmos tem, apesar de tudo, uma vantagem: iremos perceber rapidamente se o homem é apenas um amador a quem saiu a presidência do mais poderoso país do planeta, ou se, pelo contrário, tenciona mesmo levar o seu anunciado programa até às últimas consequências. Os Estados Unidos poderão estar a caminho de uma encruzilhada fatal, cujas consequências poderão ir desde uma multiplicação e intensificação das guerras regionais, até ao surgimento de verdadeiros focos de separatismo e guerra civil no interior da América.

O simples facto de Donald Trump ter dividido o parlamento desmiolado que temos é prova da sua eficácia táctica inesperada, mas também, do amadorismo proverbial das pessoas que, sem as conhecermos, elegemos em nome de um ideal democrático que não controlamos.