sábado, março 18, 2017

Level entala devaneios da TAP

Airbus A330 - longo curso, low cost

TAP encontra-se há muito numa posição estratégica insustentável e ruinosa, que a aviação Low Cost de médio, e agora longo curso, colocam em xeque.


O IAG (International Airlines Group), dono da British Airways e da Iberia, anunciou a intenção de lançar uma companhia aérea de voos de baixo custo (“low-cost”) para ligar os continentes europeu e americano a partir de Barcelona. 
A nova companhia, denominada Level, vai começar a operar em Junho e oferecerá preços a partir de 99 euros para voos a partir de Barcelona para destinos como Punta Cana (República Dominicana, começa a 10 de Junho com dois voos por semana), Buenos Aires (Argentina, três vezes por semana a partir de 17 de Junho), além dos Los Angeles (arranca a 1 de Junho, duas vezes por semana) e Oakland (perto de São Francisco, com três voos por semana a partir de 2 de Junho). 
As aeronaves ao serviço da Level - dois Airbus A330, numa primeira fase - terão capacidade para 293 passageiros da classe económica e 21 lugares “premium”, ... 
Jornal de Negócios, 17 março 2017


As tendências de mercado da aviação comercial de passageiros estão há muito definidas: ligações ponto-a-ponto e Low Cost—quer no médio curso, mas também, e mais recentemente, no longo curso. É neste contexto que se insere a criação de uma Low Cost de longo curso no grupo IAG (British Airways, Iberia, Vueling e Aer Lingus), a Level.

O grande incremento do turismo mundial, sobretudo na Europa, assentou nesta pequena revolução, a que a TAP sempre virou as costas, arruinando-se com semelhante estratégia de avestruz.

A Aer Lingus passou em julho de 2015 para o grupo IAG, depois da compra das principais posições da companhia, detidas respetivamente pela Ryanair e pelo estado irlandês. Foi no prolongamento desta operação que a Level nasceu.

Outras companhias pioneiras no ponto-a-ponto e no 'low cost' de longo curso são a Canada Rouge, a Eurowings e a Norwegian.

Mais uma vez pergunta-se: e a TAP? Vai continuar a dar prejuízos e a ver a sua frota envelhecer, encostada ao crédito moroso generosamente fornecido pela Caixa, pelo BCP e pelo dito Novo Banco?

Não conhecerá a TAP uma coisa chamada “segmentação de mercado”? Ou será que os interesses do senhor Neeleman no aluguer de equipamento americano são mais fortes?


RESPOSTA A KUNAMI (um heterónimo curioso):

  1. Em 2012 a Airbus tinha registada apenas uma encomenda de 12 Airbus A350-900, com um preço estimado, em 2012, de 2.325 milhões de euros. Esta encomenda, que revelava, além de megalomania, uma completa falta de visão estratégica por parte de Fernando Pinto, viria a ser anulada e substituída por uma encomenda ainda mais megalómana, embora mais próxima das tendências de mercado: 15 A320neo, 24 A321neo, e 14 A330-900neo. Ao que me diz Kunami, chegarão este ano à Portela, três A330-900 e um A321neo. Valor desta parte da encomenda: qualquer coisa próxima 1055 milhões de euros. 
  2. O valor total da nova encomenda (pergunto: quando foi feita a anulação e alteração da encomenda dos A350-900?) rondará os 12.180 milhões de euros. Gostaria muito de saber quem irá abancar os créditos necessários, tendo nomeadamente em conta o estado de falência técnica da companhia. A Caixa Geral de Depósitos, a exemplo do que ocorreu com a dívida mal explicada da UGT a Bruxelas? Ora aqui está uma pergunta que o Soviete Supremo de São Bento, sendo a TAP uma empresa pública, tem a obrigação de responder!
  3. Continua a parecer-me que a megamomania e a falta escandalosa de uma estratégia credível continuam a servir apenas uma ideia maior: justificar a construção do aeroporto da Ota em Alcochete. As encomendas à Airbus jamais se concretizarão na sua totalidade, como não se concretizou a dos 12 Airbus A350-900, mas enquanto a propaganda vai e vem, grita-se que a TAP precisa de crescer, que a Portela rebenta pelas costuras, e que Lisboa precisa dum novo aeroporto onde já muito boa gente empatou dinheiro—do banco, claro! Já agora, quem paga à Airbus as indemnizações pelas desistências e mudanças erráticas de estratégia?
  4. Colocando os valores desta convesa em perspetiva, diria que os planos da TAP equivalem a construir 12 Pontes Vasco da Gama nos próximos anos, ou até o NAL da Ota em Alcochete, com cidade aeroportuária e tudo!!! 
Atualização: 25 mar 2017, 19:40 WET

1 comentário:

Kunami disse...

Bom dia,

Permita-me a questão: é baseado em que dados ou fontes que afirma que a TAP não está a renovar a sua frota? Segundo me consta, está em execução um plano que, entre outras coisas como a aposta no mercado de longo curso a preços competitivos, inclui a aquisição de 53 aeronaves. Para este ano são aguardados 3 A330 e um A321.
Para breve, a entrada de A321LRneo, que permitirá fazer por exemplo LIS-JFK num avião de médio curso, algo que não está ao alcance geográfico da maioria dos hubs europeus e que permitirá preços bastante competitivos na operação.