domingo, janeiro 30, 2011

Jovens de todo o mundo, uni-vos!

First we take Cairo...



Al Jazeera acompanha de perto a evolução dos acontecimentos. LINK

Podemos enganar alguns jovens durante algum tempo. Mas não podemos enganar todos os jovens ao mesmo tempo, todo o tempo. A revolução em curso na margem sul do Mediterrâneo é sobretudo uma revolta da juventude letrada e sem emprego contra o cinismo egoísta da meia idade. Não tem nada que ver com o fundamentalismo islâmico, nem com o terrorismo, nem com o fantasma de Bin Laden. E por isto mesmo é um aviso muito mais sério à Europa, aos Estados Unidos, à Rússia e à China — regiões em acelerado processo de envelhecimento e cercados de povos jovens, letrados e munidos de tecnologia inteligente suficiente para colocar em causa países inteiros em menos de uma semana.

A idade da revolução: este mapa vale mais do que mil palavras (ampliar)

Mubarak teve trinta anos para fazer algo pelo seu povo, e não fez — respondia à Al Jazeera um dos muitos milhões de manifestantes que há dias exigem uma mudança democrática no Egipto. Agora, só lhe resta uma opção: sair. Esta mesma frase, mudando o que há a mudar, começa a fazer sentido em relação à caldeirada parlamentar e presidencial que governa Portugal desde 1976. Como filosofava David Li (director do Center for China in the World Economy), durante um dos debates públicos promovidos pelo World Economic Forum, em Davos (Suíça), a noção ocidental de democracia é porventura mais ilusória do que parece, e certamente mal preparada para lidar com a complexidade e urgência da evolução humana actual. Mais do que inocentar a acção política através da introdução de formalismos eleitorais aparentemente democráticos, Li sugeriu subtilmente que talvez seja mais prudente, pelo menos em países com uma longa história, os sistemas de poder existentes assumirem a responsabilidade de estabelecer uma governação inclusiva, especialmente atenta às modulações das expectativas, dificuldades, reclamações e direitos das populações. O laivo paternalista da proposta, na medida em que supõe um poder supra-democrático, é difícil de engolir, pelo menos na ponta ocidental da Eurásia. Mas nem por isso o seu argumento sobre a falácia democrática militantemente promovida pela Europa e pelos Estados Unidos, deixa de ter sentido. Foi seguramente este género de soft-power supra-democrático, mas que não rejeita os sinais telúricos da soberania popular, que levou as autoridades de Pequim a vedarem o acesso ao termo "Egipto" no popular micro-blogue Sina — espécie de Twitter chinês. A China não censura as notícias sobre o "caos no Egipto" (Xinhua News), apenas evita a dispersão perigosa da sua iconografia junto da igualmente inquieta juventude chinesa...

Um número crescente de democracias ocidentais ouve cada vez menos a voz do povo, e obedece cada vez mais às exigências dos especuladores, das nomenclaturas e dos burocratas pendurados no endividamento e envelhecimento imparável destes regimes. À medida que envelhecem e vêem subir as remunerações pelo trabalho, mas também pelo não-trabalho, das suas bases sociais de apoio, as democracias burocráticas europeias tendem a apostar cada vez mais na automação tecnológica, na exportação das indústrias para países sem grandes protecções sociais e com trabalho barato, ao mesmo tempo que vão enredando as suas juventudes no logro da educação permanente e da cultura popular urbana, ou seja, naquilo a que Guy Débord (em 1967) chamou, com grande precisão, a sociedade do espectáculo. Pão e circo, diziam os romanos — Panem et circenses [ludos].



No Egipto que nestes momentos passa pela adrenalina épica de uma verdadeira revolução democrática, quarenta por cento da sua população tem menos de trinta anos, e de toda esta gente jovem, cinquenta por cento não tem nem emprego, nem perspectivas de arranjar emprego. No entanto, dezenas ou centenas de milhar destes jovens têm estudos secundários e universitários, e sobretudo incorporaram já no seu dia a dia cultural o paradigma das novas redes sociais electrónicas. Era uma questão de tempo até que a improvável rebelião democrática e laica das massas muçulmanas controladas pelas ditaduras da margem sul do Mediterrâneo, do Magrebe ao Suez, irrompesse como um vulcão adormecido.

Também nas democracias europeias e norte-americana o egoísmo dos baby boomers atirou para um limbo sem futuro milhões e milhões de jovens. Em Espanha, o peso do desemprego de longa duração entre os jovens desempregados da mesma faixa etária —entre os 15 e os 30 anos— é de 42% para os desempregados sem o ensino secundário e 39% para os diplomados universitários. E entre os jovens dos 14 aos 24 anos de idade a taxa de desemprego é de 43%. Em Portugal, por exemplo, a falta de emprego de longa duração afecta 51% dos jovens portugueses com "canudo" e idades entre os 25 e os 34 anos. E na média dos países da OCDE, esta taxa é de 42%. Curiosamente, a esmagadora maioria dos países da OCDE encontra-se num processo de estagnação demográfica por envelhecimento e menor fertilidade (Wikipedia), ao contrário da Tunísia, do Egipto, do Iémene ou do Afeganistão...

As razões da revolta em curso no norte de África —desemprego eterno entre os jovens com formação escolar básica, média ou superior, e queda do rendimento per capita por efeito da inflação mundial induzida pela subida imparável dos preços da energia— são as mesmas que afectam hoje a juventude europeia. Por que motivo, então, esta não se revolta? Uma das explicações possíveis estará nas margens de conforto ainda disponíveis nos orçamentos sociais dos estados e das famílias para subsidiar a falta de emprego dos jovens. Esta vantagem encontra-se, porém, seriamente ameaçada pelas explosões sucessivas das dívidas públicas, empresariais e pessoais acumuladas ao longo das duas últimas duas décadas. Ou seja, esta válvula de segurança tem um prazo de validade que expirará em breve: 2012, 2015, 2020? Outra explicação para a impotência aparente das gerações X e Y face ao flagelo que as atinge advém da sua declinante proporção relativamente à população total. No entanto, quando as duas pontas da crise demográfica se unirem, dando lugar a um tríptico socialmente explosivo —avós com reformas comidas pela inflação, pais no desemprego de longa duração e filhos sem emprego à vista—, aí, ou me engano muito, ou teremos uma fusão revolucionária entre os democratas muçulmanos e os democratas católicos e laicos de ambas as margens do Mediterrâneo.

sábado, janeiro 29, 2011

A farsa do TGV

Futura plataforma logística da Mota-Engil no Poceirão interessa a quem?



Novas rotas dos navios “New Panamax”
Canal do Panamá alargado em 2014 é oportunidade para porto de Sines

A ampliação do Canal do Panamá vai alterar as rotas dos navios “New Panamax” com a consequente redução de custos do transporte, entre os diferentes pontos do mundo, sobretudo entre a América e a Ásia. O porto de Sines poderá tornar-se um dos nós de ligação entre as rotas marítimas mercantes Oeste-Leste e Norte-Sul. Se… — Rui Rodrigues, Público/Cargas &Transportes, 2011-01-16.
Em 2014, se não houver nenhum atraso, abrirão as novas eclusas do Canal do Panamá, inaugurando-se uma nova era no transporte marítimo de mercadorias entre o Pacífico e o Atlântico. O trânsito de gigantescos navios porta-contentores (Post-Panamax) fará previsivelmente a diferença num mundo cada vez mais ameaçado pela escassez relativa de petróleo.

A China, mas também a Índia e o Japão, e os seus principais parceiros comerciais (Estados Unidos, Brasil e Europa) serão os grandes beneficiários desta espécie de alargamento do Canal do Panamá. Os principais portos de águas profundas portugueses, Sines e Setúbal, são candidatos naturais a receber e processar as cargas destes navios, mas só na condição de estarem preparados para descarregar (e carregar...) os novos gigantes do mar desenhados para ligar continentes. Porta-contentores mais pequenos e ágeis, de cabotagem se chamam, farão o trabalho ao longo das periferias continentais.

Ora bem, para que os grandes terminais portuários possam cumprir a sua missão estratégica terão que ser plataformas multimodais, i.e. preparadas para mover mercadorias em quantidade, rapidamente e a preço competitivo, entre os porões dos navios e os sistemas de transporte complementares, prioritariamente ferroviários e rodoviários. No caso da Península Ibéria, e no que se refere ao transporte ferroviário (cujo preço será em breve imbatível quando comparado com o dos TIR), há uma exigência especial e suplementar: precisam de aceder simultaneamente a redes de bitola ibérica e a redes de bitola europeia (1) —sem o que perderão posição para portos próximos que ofereçam esta facilidade. Por exemplo, se os portos de Sines e de Setúbal continuarem limitados, como actualmente estão, à bitola ibérica, o mais certo é vermos no futuro os super Panamax dirigirem-se para os portos de Huelva ou de Algeciras ("uno de los más importantes de España y de mayor crecimiento del mundo, particularmente en cuanto a tráfico de contenedores"), onde então, se a manobra da Mota-Engil triunfar, o grosso das cargas e descargas intercontinentais será realizado, tornando os principais portos de águas profundas portugueses em plataformas subsidiárias, ou de mera cabotagem!

A solução que nos convém (2) é simples: basta ligar, aproveitando o espaço-canal existente, os portos de Sines e de Setúbal, com vias únicas de bitola europeia, ao Poceirão, por onde passará a futura ligação ferroviária de Alta Velocidade entre Lisboa e Madrid —na realidade, entre Lisboa e a segunda maior rede de Alta Velocidade do mundo, actualmente com 2600 Km ao serviço de passageiros e mercadorias, que acaba de se ligar a França por Barcelona, mas que antes de 2020 terá três portas de saída/entrada para a Europa: País Basco, Pirinéus e Catalunha.

A solução menos cara e mais lógica, traçada a negro.
Olhando para o mapa que risquei sobre a informação da degenerada empresa pública Refer, torna-se evidente que a solução defendida pelo governo (uma nova linha em bitola ibérica entre Sines e Badajoz, e duas estações ferroviárias em Évora!) serve apenas o interesse preguiçoso da Mota-Engil. O que esta empresa dirigida pelo "socialista" Jorge Coelho pretende é fácil de explicar: transformar o Poceirão numa alfândega entre bitola ibérica e bitola europeia!

Ou seja, as mercadorias que chegam a Setúbal e Sines, ou saem de Sines e Setúbal, terão que sofrer uma ruptura de carga, com pelo menos uma hora de transbordo, na plataforma-alfândega do Poceirão. Ou seja, em vez da circulação de uma, duas ou mesmo três centenas de comboios de mercadorias por dia, entre os estratégicos portos portugueses de águas profundas e a Espanha e resto da Europa, teremos, no máximo, dez comboios diários! Cada frete ferroviário, por sua vez, por causa do tal transbordo que o Coelho da Mota-Engil impôs ao governo, custará em média mais 30% do que um frete racional. É de tal modo estúpido este esquema aninhado à mesa do Orçamento, que o resultado só poderá ser um: o valor estratégico potencial dos portos de Setúbal, e sobretudo de Sines, será capturado pelos portos de Huelva e de Algeciras. Perante tanta cegueira e ganância de curto-prazo por parte da caldeirada lusitana, os espanhóis da Moncloa e da Zarzuela só podem rir-se a bandeiras despregadas e esfregar as mãos.

A miopia da Mota-Engil, obcecada com o ganho fácil e rápido, como se estivesse a assaltar uma casa-forte (de facto está) é sobretudo grave, para não dizer criminosa, porque coloca literalmente em causa o futuro estratégico dos portos de Sines e de Setúbal enquanto portas naturalmente privilegiadas de ligação do emergente Brasil, dos Estados Unidos, do Japão e da China à Europa!


POST SCRIPTUM

A empresa pública espanhola Administrador de Infraestructuras Ferroviarias (ADIF), concreta e oficialmente desmente o Governo e a RAVE. O Governo português dizia que só daqui a 30 anos a Espanha se ligaria, em bitola europeia, à União Europeia — e que por ser assim, afirmavam, as ligações a Espanha teriam que ser realizadas usando a velha bitola ibérica. Este era, aliás, o único argumento que justificava o negócio da Linha Sines-Badajoz em bitola ibérica, a favor exclusivamente da preguiçosa e corrupta Mota-Engil. A obra que foi insidiosamente posta em marcha perante a miopia alegre do parlamento e dos seus ridículos personagens. Mas a democracia tem o poder e o dever de parar o que é manifestamente inaceitável. Espero que se faça!
Os contentores há muito que viajam entre Sines e Madrid via Sines-Vendas Novas-Entrocamento-Abrantes-Madrid. Logo, nada justifica uma segunda linha em bitola ibérica para fazer o mesmo serviço. Pelo contrário, basta ligar Poceirão aos portos de Sines e Setúbal, construindo duas novas vias únicas em bitola europeia que Sines-Badajoz, para não desperdiçar completamente as vantagens evidentes que os portos de Sines e Setúbal — o que acontecerá se a decisão corrupta do governo "socialista" se concretizar.

Após o minuto 3 do vídeo fala-se da 1ª linha de AV mista para mercadorias e passageiros. No final há um mapa. A rede UIC (bitola europeia) irá ao longo do Mediterrâneo até Algeciras.

NOTAS
  1. Como será efectuado o transporte de contentores para Espanha e resto da Europa (e vice-versa) tendo em conta que os portos de Sines e Setúbal estão desligados da Rede ferroviária de bitola europeia, que em breve chegará a Badajoz-Elvas (mais precisamente ao Caia)?
    Migrar as plataformas de bitola ibérica para bitola europeia é totalmente impossível no eixo Norte-Sul. Não construir ao lado das actuais vias únicas em bitola europeia que ligam os portos de Setúbal e de Sines ao Poceirão, uma via única em bitola europeia ligando cada um destes portos ao Poceirão é um verdadeiro crime económico, e os seus responsáveis, a comprovar-se o crime, deveriam pagar pela sua ganância sem limites nem moral. Como argumenta Rui Rodrigues, "O Governo ainda não percebeu que Portugal vai precisar de duas redes ferroviárias independentes (ibérica e europeia), mas com estações, portos e plataformas logísticas comuns.
  2. Escrevemos noutro postal, com base em fontes bem informadas, que o governo depenado de Sócrates estará a preparar sorrateiramente um arremedo do género: bitola ibérica de Lisboa a Évora e nova linha em bitola europeia de Évora ao Caia. O porto de Setúbal ficaria ligado pela existente bitola ibérica até Évora via Poceirão, e o porto de Sines teria uma nova linha (500M€) até Évora. Em Évora, das duas uma: ou os contentores fariam longas bichas de espera para mudar de comboio (de bitola ibérica para bitola europeia), ou então encolheriam os eixos por forma a entrar na nova linha de bitola europeia entre Évora e Caia — o que significa material circulante novo e adaptado a esta solução. Sabe-se, no entanto, que o governo falido de Sócrates, por conveniência do senhor Jorge Coelho e da Mota-Engil, se prepara para ter duas estações ferroviárias em Évora — uma para o "TGV" e outra para o trânsito em bitola ibérica! Para além do mal que isto cheira, se se concretizar, então só uma das duas hipóteses mencionadas será certa. E qual é? Pois a do transbordo de contentores entre plataformas!! Ou seja, Poceirão e Évora serão duas novas vacarias ao serviço do oligopólio Mota-Engil, contra toda a racionalidade, contra os interesses elementares da economia portuguesa, e desafiando ainda as mais elementares providências em matéria de transparência democrática e luta contra a corrupção.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Gazeta n3

Café da manhã



  • ONDE estão os 80 mil milhões de euros?

    COMENTÁRIO
    : este depoimento revela até que ponto a prosperidade em queda do Ocidente parece depender ainda de um saque criminoso executado pelas ex-potências coloniais nas antigas possessões, agora através de verdadeiras redes mafiosas de Estado! Muitas ex-colónias em África e na América Latina são verdadeiras cleptocracias protegidas hipocritamente pelos Estados Unidos e pela Europa. A revolução democrática alastra do Iémen a Marrocos, passando pela Argélia, e por países verdadeiramente críticos para o equilíbrio sempre instável do petrolífero Médio Oriente, como é o caso do colapso eminente da ditadura corrupta do Egipto, ou do que mais tarde se verá na Arábia Saudita. Bastou uma pessoa, num acto de desespero, ter dito não à ignomínia, para que todo um dominó de corrupção começasse a cair. É altura de os levianos e medíocres líderes europeus que temos porem as barbas de molho!

  • EGÍPCIOS "quebraram o muro do medo" e prometem o maior protesto para hoje. Manifestantes tentam aproveitar dinâmica de contestação iniciada na Tunísia e que já chegou ao Iémen. El Baradei regressa ao Cairo e pede a "reforma" do Presidente Hosni Mubarak — Público, 2011-01-28.

    COMENTÁRIO: EUA e Europa forçam a múmia de serviço a deixar o topo da escumalha.

  • GOVERNO assegura empréstimo de 1.500 milhões junto do BEI. O Governo assegurou, já para o primeiro trimestre de 2011, a disponibilização de um empréstimo do BEI, no valor de 1.500 milhões.

    A quantia destina-se a apoiar a contrapartida pública nacional dos projectos QREN.

    O primeiro-ministro José Sócrates abriu o debate quinzenal na Assembleia da República com um conjunto de novas medidas para acelerar a execução do QREN e promover a competitividade e modernização da economia. Entre eles conta-se também o reforço em 50% da dotação atribuída a concursos agora concluídos no âmbito do sistema de incentivos para as empresas exportadoras, o reforço da linha de crédito QREN Invest, actualmente fixada em 850 milhões de euros, o aumento para 75% do limite máximo da taxa de apoio ao investimento elegível das empresas, no sentido de combater "as dificuldades de acesso ao financiamento bancário", explicou o primeiro-ministro — Económico, 2011-01-28.

    COMENTÁRIO: É sempre bom ter um Cravinho no sítio certo :) Mas atenção: os empréstimos que viabilizam o QREN, sobretudo junto dos municípios portugueses, na sua maioria falidos e, pior ainda, insustentáveis por falta de estratégia, são para pagar. Ou seja, o que temos pela frente é mais endividamento! O QREN tem que ser aplicado criteriosamente e na perspectiva, diria exclusiva, do desenvolvimento de sistemas económicos municipais e regionais auto ou pelo menos parcialmente sustentáveis. Uma vez mais, compete em primeiro lugar às araras partidárias observar, meditar e agir sobre este barril de pólvora.

  • BRUSSELS considers bold plan to finance start-ups. The European Union is considering an ambitious plan to help business start-ups find financing, EurActiv has learned. Within two years, the EU wants to ensure that venture capital funds established in any member state can function and invest freely throughout the bloc by adopting a new legislative regime.

    Policymakers also want to test the feasibility of an online platform for matching offers and requests for venture capital within the Enterprise Europe Network, according to a draft of the Small Business Act review, obtained by EurActiv — Euractiv.

    COMENTÁRIO: ver para crer...

  • EAST EUROPE nuclear plants struggle to find investors. Cash shortages and uncertainty over energy prices are delaying or cutting back nuclear power projects across Central and South-Eastern Europe, threatening energy supply and a push to abandon polluting coal — Euractiv, 2011-01-27.

    COMENTÁRIO: com os actuais níveis de endividamento público e privado, falta de capital, problemas de segurança inerentes e custos associados à construção e ulterior desactivação das centrais nucleares, os países estão a deixar esta opção energética para trás. O recente discurso de Barack Obama sobre "O Estado da Nação", e as dificuldades aqui descritas sobre os países do leste europeu, são sinais concludentes.

  • EU businesses struggle to find feet in China. The language barrier and culture clashes are preventing European companies from tapping into the Chinese market, agreed organisers of an EU-China management exchange scheme. Meanwhile, the EU has opened a centre in Beijing to help SMEs.

    European firms can establish themselves in China easily enough but struggle to expand their business due to their lack of local knowledge – as well as the complexity of Chinese laws, they noted.

    ''We need more people learning Chinese,'' stated Franz Jessen, head of the China Unit in the EU's new External Action Service. He proposed introducing language training in primary or secondary schools — Euractiv, 2011-01-28.

    COMENTÁRIO: depois do inglês, o nosso impagável Sócrates poderia tirar outro coelho da cartola: ensino de chinês opcional desde a escola primária… até a universidade! Seria uma via rápida para criar uma rede de contactos altamente reprodutivos com a economia, a diplomacia e a cultura chinesas. Estou farto de dizer que deveríamos retribuir o empréstimo de Macau a Portugal, durante mais de 400 anos, com um empréstimo semelhante, agora da nossa parte, à China. Já pensaram o que os chineses fariam de uma qualquer aldeia arruinada do Alentejo? Pensem nisso: 18 Km2 de Alentejo, arrendados à China durante 100 anos...

  • LOS TÓPICOS sobre la rentabilidad del AVE. Los sucesivos gobiernos de España han invertido con entusiasmo en la construcción de líneas de alta velocidad ferroviaria, con fuerte apoyo de los medios de comunicación (la cobertura informativa ha sido tan espectacular y acrítica que me recuerda lo que Luis Garicano contaba aquí sobre el gasto en publicidad de las grandes empresas y sus consecuencias; y también, permítanme la frivolidad, esta pieza maestra), obviamente con el soporte de sus usuarios directos, que pagan un billete que escasamente cubre los costes variables y, sorprendentemente, con el respaldo agradecido del resto de la sociedad, que sigue creyendo que en esto de las infraestructuras, cuanto más grande y más caro, mejor.

    El asunto es serio, muy serio, porque es mucho el dinero público que se ha invertido, y se sigue invirtiendo, en un modo de transporte demasiado caro para lo que ofrece... — El Confidencial.

    COMENTÁRIO: A discussão da Alta Velocidade ferroviária continua acesa, também em Espanha, o país com a segunda maior rede de "TGVs" do mundo (atrás da China), 2600 Km em serviço. A tendência neste momento dominante é a de combinar as vias de Alta velocidade, em "bitola europeia", ou bitola internacional (UIC), com as redes convencionais, em "bitola ibérica" no caso da Península Ibérica. A solução da ligação Lisboa-Madrid-Barcelona (resto de Espanha/França…) terá pois que ser inflectida para soluções mistas. A Blogosfera aposta, aliás, que é isto mesmo que será feito em Portugal. Os comboios rápidos AVE circularão a Alta Velocidade (250Km/h) entre Madrid e Évora, e de Évora a Lisboa, os rodados telescópicos do AVE permitirão que os comboios circulem  pela "bitola ibérica" até Lisboa, a 120Km/h. Muito melhor do que isto seria ruinoso para o Estado, não atrairia privados interessados na exploração do serviço (como terá que ser...), e os passageiros acabariam por exigir menos velocidade, menos preço e acima de tudo várias ligações diárias. Lisboa-Madrid em três horas e meia é mais do que bom!

    Fica aqui um testemunho de un nuestro hermano que sabe da poda (mas cujo nome, porém, devo preservar):

    "A partir de ahora habrá muchos artículos de este tipo. No les falta razón pues con el AVE se han cometido muchos excesos, pero en mi opinión aquellas relaciones que a medio plazo lleguen a las 100 circulaciones dia en ambos sentidos la linea AVE esta perfectamente justificada, y algunas líneas ya están a punto de alanzar ese numero de cirrulaciones, tal el caso de la relaciónes  Madrid-Andalucia, Madrid-Aragon-Cataluña, Madrid-Levante, y lo pueden ser tambien Madrid-Pais Vasco-Frontera Francesa y Madrid-Lisboa-Oporto. Puede que mas adelante, pero sin prisas, también se deberá contemplar las relaciones Valencia-Barcelona y Vitoria-Zaragoza(Bilbao-Barcelona). El resto de relaciones no  justifica un solo tramo de línea  AVE pues en mucho tiempo no pasaran de 12 ó 14 circulaciones día y para ese numero  una línea AVE es un despilfarro. Lo que debe hacerse es una parte del recorrido por línea AVE(consiguiendo grandes disminuciones de tiempo de viaje) y la  otra parte por la línea convencional modernizada, pero sin hacer grandes obras(ojo a los carísimos tuneles, viaductos y nuevas estaciones). En los pasados años, en España, a la vez padecimos una la desmesurada especulación inmobiliaria, ha tenido lugar una excesiva construcción de infraestructuras(autopistas, líneas ferreas,areropuertos,etc) alentado el proceso por las constructoras, bancos y políticos demagogos que pedian que todo pasase por su pueblo. Hay que parar esa locura o la economía española lo pagara caro."

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Gazeta n2

Café da manhã



  • Barroso baixa expectativas para rever fundo em breve. O presidente da Comissão, Durão Barroso, foi ontem obrigado a baixar as expectativas sobre a possibilidade da cimeira de líderes no final da próxima semana, em Bruxelas, decidir flexibilizar e aumentar o fundo de resgate europeu. — Económico, 2011-01-27.

    COMENTÁRIO
    : A Alemanha só porá em marcha os tão desejados Eurobonds e a subsequente agência de gestão da dívida pública europeia quando os PIIGS colocarem nas respectivas constituições cláusulas de limitação do endividamento público e orçamental. De que está à espera a rapaziada partidária, do Louçã a Portas, para rever a Constituição Portuguesa neste ponto vital para o futuro da nossa soberania?

  • Asian investors lead massive demand for first Euro bail-out bond. Asian and Middle-East investors have thronged to buy the first issue of AAA-rated bonds by the eurozone's new bail-out fund, marking a key moment in the evolution of Europe's monetary union. — The Telegraph, 2011-01-27.

    COMENTÁRIO: Como aqui se anunciou a tempo e horas, China, Japão e Médio Oriente não vão deixar cair o euro. Mas esperam sinceramente que a Alemanha ponha alguma ordem no chiqueiro.

  • Bank of England chief Mervyn King: standard of living to plunge at fastest rate since 1920s. Households face the most dramatic squeeze in living standards since the 1920s, the Governor of the Bank of England warned, as he reacted to the shock disclosure that the economy was shrinking again. Families will see their disposable income eaten up as they “pay the inevitable price” for the financial crisis, Mervyn King warned. — The Telepgraph, 2011-01-25.

    COMENTÁRIO: A dívida pública do Reino Unido é superior à totalidade da dívida pública dos PIIGS!

  • German growth sustains eurozone. German, French and Belgian business sentiment picked up by an unexpectedly high degree at the start of the year, suggesting that Germany’s broadening economic recovery is sustaining manufacturing in other parts of the eurozone. — FT, 2011-01-21.

    COMENTÁRIO: Era de esperar. A euforia na Auto-Europa em 2010 foi já um reflexo disto mesmo. E sabem que mais? A Alemanha está a precisar de cinco mil engenheiros para ontem, de preferência católicos, apostólicos e romanos!

  • A German-led eurozone rescue. Would a higher ceiling and a wider remit constitute a solution to the crisis? The answer is that this depends on how it is done. The notional size of the entire eurozone rescue package is €750bn. This is made up of €440bn from the EFSF, €60bn from the European Commission and €250bn from the International Monetary Fund. But this is only a number for headline writers. It is not real. Greece and Portugal cannot be expected to pay for Ireland, and vice versa. To obtain a triple A rating, the EFSF has to over-collateralise its lending so that, instead of €440bn, it can lend only €250bn. That reduces the total from all three sources combined to a little over €450bn. — Wolfgang Münchau, FT, 2011-01-16.

    COMENTÁRIO
    : um artigo interessante sobre os perigos que podem resultar de um excesso de miopia por parte de Angela Merkel. Mas eu creio que a senhora chanceler tem um calendário eleitoral pela frente que não pode atropelar. Por outro lado, a questão de fundo subsiste: a Alemanha não pode continuar a alimentar porcos a pérolas, isto é, vai ter mesmo que atacar de frente a corrupção desgraçada que vem matando as democracias populistas do sul da Europa.

  • The gold price rose by 29% in 2010. By comparison the S&P Goldman Sachs Commodities Index (S&P GSCI) rose by 20%, the S&P 500 rose by 13%, the MSCI World ex US Index increased by 6% in US dollar terms, and the Barclays US Treasuries Aggregate Index rose only by 6% over the year. — Gold Investment Digesdt, 2011-01-26.

    COMENTÁRIO: apesar das descidas das duas últimas semanas, a tendência de médio e longo prazo é no sentido ascendente. A inflação dos preços da energia e da alimentação manterá os metais preciosos em ascensão.

  • EU considers tough stance on raw materials. Shortages of rare earth minerals, used in high-tech and defence production, have sent jitters around the world since dominant producer China restricted exports.
    The strategy includes examining whether to propose a stockpiling programme for the most critical raw materials.
    Fourteen such materials are already listed by the Commission, including rare earths such as germanium, which is used in military fibre-optic systems and infrared optics, and gallium, which is used in LED lighting. — Euractiv, 2011-01-24.

    COMENTÁRIO: mais cedo ou mais tarde os paladinos do liberalismo perceberão que os países possuidores de energia, matérias primas essenciais e mão-de-obra barata sem direitos, erguem uma cascata de fronteiras à nossa frente, e que se é assim, então teremos que regressar a alguma forma de proteccionismo aduaneiro.

  • Recessão de 0,8% em 2011, projecta a Católica. Para 2011, os economistas liderados por João Borges de Assunção avançam já com uma outra estimativa: "A nova previsão de variação anual do PIB para 2011 é de -0,8%, reflectindo a nova informação adicional contida no Orçamento do Estado para 2011 sobre as medidas de consolidação das contas públicas, bem como os dados sobre o desempenho económico e da Zona Euro na segunda metade de 2010", afirma a síntese do documento. — OJE, 2011-01-26.

    COMENTÁRIO
    : Se não crescemos, também não podemos pagar as dívidas. Elementar!

  • PSD atira "estabilidade política" para "as mãos" do Governo e de José Sócrates. Direcção de Passos diz que quem quer "dispensar" o executivo socialista terá de esperar "serenamente" pelas próximas eleições. — Público, 2011-01-26.

    COMENTÁRIO
    : uma situação que, de momento, convém a todos: ao PSD, ao PS, a Cavaco, ao PCP, ao Bloco e ao CDS. Só não convém aos esfomeados, explorados e humilhados — i.e. aos Portugueses!

  • EDP emite 750 milhões de euros em obrigações. Quatro dias depois de a administração da EDP ter regressado de um ‘road-show' por países asiáticos, a eléctrica portuguesa anuncia uma emissão de obrigações de 750 milhões de euros. Estes títulos serão admitidos na bolsa de Londres com um juro de 5,875%, que será pago dentro de cinco anos. — Económico, 2011-01-26.

    COMENTÁRIO: Finalmente, o grande buraco do cabotino Mexia está à vista. Custou!

  • Estradas de Portugal teve 110 milhões de euros de lucros. A Estradas de Portugal (EP) encerrou o ano de 2010 com um lucro de 110 milhões de euros, uma subida face aos 74,5 milhões de euros registados no ano anterior, disse hoje, terça-feira, o secretário de Estado das Obras Públicas. — DN Economia 2011-01-26.

    COMENTÁRIO: a engenharia contabilística tem destas maravilhas. Eu também perguntava, cheio de curiosidade, ao meu contabilista, há uns anos atrás, como é que ele fazia o milagre dos lucros numa empresa, a minha, que não tinha um cêntimo para mandar cantar um cego. E ele respondia: "são as regras da contabilidade!"

  • Antonio --

    Tonight I addressed the American people on the future we face together.

    (…) Moving forward, America's economic growth at home is inextricably connected to our competitiveness in the global community. The more products American companies can export, the more jobs we can create at home.

    This vision for the future starts with innovation, tapping into the creativity and imagination of our people to create the jobs and industries of the future. Instead of subsidizing yesterday's energy, let's invest in tomorrow's. It's why I challenged Congress to join me in setting a new goal: By 2035, 80 percent of America's electricity will come from clean energy sources.

    It means leading the world in educating our kids, giving each of our children the best opportunity to succeed and preparing them for the jobs of tomorrow.

    We must build a 21st century infrastructure for our country, putting millions of Americans to work rebuilding roads and bridges and expanding high-speed Internet and high-speed rail.

    — Barack Obama, 2001-01-26.

    COMENTÁRIO: eu costumo receber regularmente missivas do Barack Obama, cheias de ilusão e boas intenções. No discurso da nação deste ano, ele redescobriu a pólvora keynesiana: restaurar as infraestruturas e construir infraestruturas novas. As velhas são, por exemplo, as pontes que caem como tordos! As novas são, destacou, as energias eólicas e solares (que a nossa informação social alardeou com entusiasmo), a banda larga, e a criação de uma vasta rede ferroviária de alta velocidade interurbana e suburbana (coisa que a nossa imprensa subserviente abafou, para não comprometer o plano da tropa mafiosa do BPN, que continua a comandar o PSD).

  • O vídeo que se segue, dispensa comentários.


  • BE propõe limites nos salários dos gestores. O objectivo é "credibilizar" o sector empresarial do Estado. Por isso, o BE apresenta amanhã, no Parlamento, dois projectos de lei que pretendem limitar a remuneração dos gestores públicos à atribuída ao Presidente da República. No caso dos dirigentes de institutos públicos, os bloquistas defendem que os salários dos membros do conselho directivo das empresas não devem exceder a remuneração dos secretários de Estado. — Público, 2011-01-27.

    COMENTÁRIO: enquanto iniciativa moralizadora, é boa. Porém, tem impacto diminuto na despesa pública. Seria mais útil que os populistas do BE propusessem um tecto máximo às reformas pagas pelo Estado, como fizeram, por exemplo, os suíços: 1.700 euros. Quem quiser, ou precisar de mais, que faça um ou mais PPR; ou organize a poupança pelas formas que entender mais seguras. Mas o mais importante é discutir as funções do Estado. Eu defendo que o Estado é necessário e mesmo insubstituível em muitos aspectos da nossa nossa vivência e segurança colectivas. Mas daí a termos o Estado a incomodar-nos em todas as esquinas, e a chupar-nos a seiva até ao tutano, vai a distância que existe entre uma sociedade racional, solidária e organizada, e uma democracia burocrática de partidos, funcionários públicos e salteadores organizados em tríades e máfias de todas as dimensões e feitios. E atenção: as recentes eleições presidenciais foram o prelúdio da instalação efectiva, no nosso país, de um Estado de Carraças. As declarações de algum do peixe graúdo do Bloco Central em volta do caso Penedos são de deixar os cabelos em pé!

  • João Rendeiro — sobre o aumento do capital do BPI. Em resumo, admitindo que a gestão do BPI pretende manter o seu actual rácio de solvabilidade (tier I) em 8,7, seria necessário um aumento de capital, no mínimo, de cerca de €600 milhões para cobrir os impactos mencionados. Para além disto, se houver necessidade de “hair-cut” sobre a dívida pública portuguesa, não me parece que o BPI tenha qualquer futuro enquanto entidade independente — Arma/crítica 2011-01-08.

    COMENTÁRIO: Vamos admitir que estou totalmente errado na minha convicção de que João Rendeiro foi mais um dos muitos aventureiros do bangsterismo que conduziu o mundo à beira do precipício, e lesou quem nele confiou (eu nunca confiei!) Pois bem, a análise que acaba de fazer sobre o BPI, um dos pesos-pesados do nosso falido sistema bancário (na realidade, em ponto de rebuçado para ser deglutido por bancas maiores), é de leitura obrigatória. Escalpeliza, como a nossa tímida imprensa económica não faz, a ameaça séria que pesa sobre o futuro da chamada banca portuguesa (na realidade, é-o cada vez menos...) à medida que se aproximam dois eventos, um certo, e outro praticamente inevitável: os novos testes de stress à banca europeia, e o pedido de socorro de Portugal ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Qualquer destes dois eventos irá colocar a banca portuguesa perante o dilema de suicidar-se, ou entregar-se, pura e simplesmente, aos tubarões que ronda cada vez mais freneticamente a costa portuguesa. Ricardo Salgado bem prega contra o FMI. Ele lá sabe porquê! Mas voltando a Rendeiro, há ainda a hipótese de a minha intuição estar certa, e o homem ser mesmo um pirata cheio de lata. Nesta segunda hipótese, a sua análise sobre o BPI não perde um grão que seja da sua objectividade. É a vida!

terça-feira, janeiro 25, 2011

Gazeta n1

Café da manhã
  • Brasil pondera criar hub para a Europa em Sines (Cargo Edições)
    Comentário: Este é um dos caminhos! Mas para isto há que apostar na interoperabilidade das redes de transporte, coisa que os néscios do Bloco Central não têm feito, nem pensam fazer, até que alguém de fora, um dia destes, lhes ensine o caminho. 
  • Barões do PSD já admitem eleições antecipadas (i)
    Comentário: Os barões do PSD deveriam ser exportados para o Iémen!
  • Presidenciais. Alegre volta a dividir o PS no pós-eleições (i)
    Comentário: Tríade de Macau começa a cobrar. A "ala esquerda" do PS vai ser varrida para debaixo do tapete de onde nunca deveria ter saído. Se não fosse composta por oportunistas sem coragem (e pelo menos um suspeito de pedofilia não totalmente ilibado), há muito que teria criado outro partido, com o tal Alegre, e parte do Bloco. Prognóstico? Reservado!
  • Un comité secret ouvre la voie pour une réforme touchant à l'euro (Euractiv)
     "If member states want to increase the size or scope of the fund, then the German government will expect them to imitate the German brake (...), which writes deficit limits into the country's constitution, according to an EU diplomat."
    Comentário: concordo!
  • Parlamento Europeu ressuscita Eurobonds (Económico)
    Comentário: A contrapartida exigível às burocracias partidárias europeias é que façam como a Alemanha: inscrevam nas respectivas Constituições cláusulas estritas sobre o endividamento público! Já alguém se lembrou de discutir o tema entre nós? Tanto deputado, tanto político, tanto comentador encartado... não é Je sais tout Marcelo?!
  • Fundo para indemnizações obrigatório suportado pelas empresas (DN)
    Comentário
    : Esta ideia não é má. Trata-se de criar um equivalente ao Fundo de Desemprego para as indemnizações por despedimento. Falta conhecer os pormenores, que é onde o diabo da vigarice normalmente se esconde!
  • Salários podem cair por causa das novas regras das indemnizações — ameaça a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (Público)
    Comentário: Os salários estão a cair e continuarão a cair, nomeadamente por efeito da inflação. Ou seja, as falências de empresas e os despedimento vão continuar a ser um flagelo social. Daí que uma medida como a proposta agora pelo governo (e que já deveria existir há décadas) contribua objectivamente para criar mais um pequeno para-quedas social. As empresas, sobretudo as micro e pequena-médias empresas, quando despedem, estão aflitas, ou mesmo falidas — donde a dificuldade de indemnizar quem despedem, de acordo com a lei. Se houver um seguro, ou um fundo gerido por uma administração público-privada, transparente e com uma estrutura administrativa não dispendiosa e fora do controlo partidário, os benefícios serão maiores que os inconvenientes. Trata-se de um imposto, ou taxa, escondida? Não! E não confundamos os planos: uma coisa é criar uma nova rede de segurança social tipificada, outra é combater o terrorismo fiscal em curso, e outra ainda é fazer um revolução social contra a burocracia e a partidocracia que há décadas vêm afundando o país. Uma coisa de cada vez...

Minocracia

A terra foge debaixo dos calcanhares do sistema

O condottiero Marcelo Rebelo de Sousa, segundo o ouvi ao fim da noite eleitoral, na TVI, quer apagar do mapa democrático português 5 153 660 abstencionistas. Até aqui chega a venalidade dum Je sais tout que não sabe nada! Será que o avençado mediático da anestesiada TVI não percebe que algo vai muito mal numa democracia quando o presidente eleito apenas consegue reunir o voto de 23% do eleitorado?

O senhor Cavaco Silva não tem maioria, não senhor! Os 52,94% que obteve, são uma mistificação. Não valem mais, mas menos do que 23% do país eleitoral — pois muitos houve que votaram nele com um encolher de ombros, só para equilibrar o descalabro "socialista", ou para garantir a humilhação do incapaz Alegre e do quadrado Bloco do eterno seminarista Louçã, tapando mesmo as narinas para não apanhar com o fedor de decomposição de alguns dos indefectíveis amigalhaços do próximo presidente.

Mas como uma só voz de pânico (a de Marcelo) não chega, o rebanho do Bloco Central da Corrupção começou a soprar em uníssono nas trombetas da miserável e cooptada comunicação social que temos: são os "candidatos anti-sistema"! São só 20% — murmuraram. Calma — balbuciaram nervosamente.

A tropa partidária crê que se for capaz de entupir os canais mediáticos com as suas doutas "análises" sobre o acto eleitoral, apontando o dedo acusador aos candidatos "anti-sistema", o anti-sistema, que incha como uma bolha de irritação, indignação, desespero e revolta, por enquanto contida, desaparece como que por milagre. E nesta doce ilusão, a canalha partidária, a canalha financeira, e a canalha burocrática acreditam que poderão voltar a dormir descansadas, sem receio de perderem a gamela orçamental, nem medo de levarem um sopapo na rua.

Nunca como agora foi tão evidente a solidariedade oportunista e a corrupção endémica que atravessam o promíscuo falanstério partidário do regime minocrata que conduziu Portugal à falência. Divergem para inglês ver, ao mesmo tempo que pilham as últimas migalhas de um país que já só come e bebe o que os seus credores deixam. É simples de constatar. E não há outra forma de o dizer.

Olhando para os resultados da farsa eleitoral que acaba de decorrer (digo farsa, porque num regime democrático a sério, dois políticos que cometam ilegalidades, por acção ou omissão, e mintam sobre factos ocorridos, não têm lugar em corridas presidenciais), verificamos que a mole anti-sistema que cresce é bem maior do que os tais 20% a que mais um imbecil do PSD, Marques Mendes, esta noite aludia numa entrevista à TVI.

Na realidade, para avaliarmos sem subterfúgios a vaga de fundo que se está formando, legitimamente, contra a actual democracia burocrática, néscia e corrupta, que conduziu Portugal à bancarrota, teremos que somar não apenas os votos nos tais "candidatos anti-sistema", mas também juntar-lhes as abstenções, os votos brancos e os votos nulos, pois é a soma de todos este votos e não votos que traduz a real dimensão da rejeição crescente que o "povo" vota à corja que tomou de assalto o espaço público de decisão.

E aqui as contas, que os opinocratas escondem, são fáceis de fazer:
  • eleitores registados: 9 656 474
  • votos no futuro presidente da república: 2 230 240, ou seja, 23% do eleitorado!
  • abstenções+votos brancos+votos nulos+votos em Nobre, Coelho e Moura: 6 280 701 (65% do eleitorado!)
É caso para dizer que bastará um próximo José Manuel Coelho, mais novo e um pouco mais sofisticado, para conduzir a confortável maioria anti-sistema, mas nem por isso menos democrata, que já existe, embora sem liderança, contra a degenerada democracia que nos conduziu até ao beco sem saída onde estamos, abrindo oportunidades mais racionais e justas para colocar Portugal no caminho de uma nova república, adulta, exigente, generosa e criativa.

Do actual regime já nada podemos esperar. O matrimónio oportunista entre Cavaco e Sócrates, que anunciei a tempo e horas, está para lavar e durar. É um casamento com convenção antenupcial, no interesse de ambos, no interesse das tropas partidárias do regime, no interesse das tríades e máfias do Bloco Central, no interesse das famílias financeiras sentadas à mesa do orçamento, no interesse das corporações burocráticas. Só não é no interesse da mole anti-sistema que cresce. Um dia destes, provavelmente mais cedo do que se pensa, uma qualquer forma de revolução voltará a passar por aqui.

sábado, janeiro 22, 2011

Não voto

Para quê eleger mentirosos?
Estas eleições estão viciadas e são um insulto à inteligência democrática

A imprensa tradicional que ainda não se livrou das teias políticas do dinheiro continuam a dar amplo espaço de propaganda aos políticos e respectivos comentadores, para estes defenderem, como o pão que comem, o presente e arruinado status quo da democracia.

Só que a democracia, ou pelo menos boa parte das democracias ocidentais, envelheceu, burocratizou-se, corrompeu-se, deixou de ter uma base eleitoral maioritária e, em muitos casos, transformou-se numa espécie de película anti-conceptual cuja função primordial, mas inconfessável, é legitimar as minocracias que nas últimas décadas têm vindo a colonizar e arrasar os princípios elementares e fundadores da democracia.

Quando tomamos conhecimento da corrupção entranhada, e já considerada normal, das nomenclaturas político-partidárias que governam uma larga maioria dos estados europeus, sobra a pergunta: a que distância estão estas democracias dos regimes cleptocratas conhecidos em tantas partes do mundo?

Se as democracias degeneram em minocracias capturadas por partidos intelectualmente miseráveis e corruptos e pela mais escandalosa promiscuidade entre interesse público e especulação privada, que obrigação temos nós de alimentar semelhante caricatura civilizacional?

E se ainda por cima as democracias europeias, e a nossa também, se perverteram ao ponto de substituir a transparência e variedade democráticas por uma monocultura rotativista, de que os micro partidos com assento parlamentar são a mais insidiosa e castradora ilusão, de que valerá ao futuro dos nossos filhos e filhas legitimar pelo voto o que não pode deixar de ser uma tragédia anunciada?

Não. Tem que existir outro caminho!

As eleições presidenciais em curso são o exemplo descarado de uma falsificação democrática.

Alegre é um aborto político sem nome nem futuro, que nenhum rasto deixou da sua passagem de trinta anos pelo regime saído da queda da ditadura, e que à boca destas urnas, por causa do recebimento duns direitos de autor a que deveria ter renunciado (ainda por cima vindos de onde vinham — o covil de piratas financeiros chamado BPP), negou a realidade e os seus actos três vezes num só dia, qual Pedro renunciando Cristo. Serve para presidente da república? Não serve!

Cavaco é um falso economista e um falso político, mas quer ser presidente, precisamente, em nome destas duas qualidades. Como primeiro ministro que foi, depois de despedir um bom economista, Miguel Cadilhe, arquitectou e foi o inegável autor do monstro burocrático em que se transformou o Estado português. Com o vento comunitário e a inércia económica positiva a favor, apareceu aos olhos dos distraídos como um bom economista. Mas mal os ventos mudaram, tivemos todos que assistir àquela cena lamentável do Bolo Rei, às cenas indecorosas na Ponte 25 de Abril, ao colapso eleitoral, e ao ataque epiléptico que lhe percorreu o corpo ao passar a António Guterres o testemunho de um cargo de governação afinal falhado. Depois foi presidente, vencendo os improváveis candidatos do PS, e até eu (pasme-se!) defendi a sua utilidade como contra-peso ao novo e perigoso regime "socialista" entretanto instalado e que tomara o freio da corrupção nos dentes. Qual rainha de Inglaterra (neste caso, de Boliquieme), o presidente que tivemos nos últimos cinco anos, salvo os episódios em volta do estatuto de autonomia dos Açores (onde lhe dei razão), e o caricato tema das escutas em Belém, esteve literalmente a dormir na formatura. Como ex-primeiro ministro ("experiente", disse ele) não pressentiu nada; e como economista, nada previu, nem viu, até que Portugal se revelou, ao contrário do que afirmara repetidamente, um buraco negro de dívidas comparável ao da Grécia, da Irlanda e da Espanha. Leu certamente o Financial Times de 1 de Setembro de 2008 ("Pigs in muck"), que apontou os PIGS como elo fraco da cadeia do euro, mas preferiu olhar para o chão, e ouvir como um qualquer adolescente, ou mau aluno, o puxão de orelhas do seu colega economista, e presidente da República Checa, sobre o descalabro das contas públicas portuguesas, durante uma visita presidencial àquele país. Fez alguma coisa quando a crise escancarou a bancarrota do país? Não, ou melhor, preferiu continuar a elogiar a excelência do nosso sistema financeiro. Et pour cause! Quando o caso BPN surgiu, revelando ser a maior fraude financeira desde Alves dos Reis, Cavaco ficou em estado de choque, emudeceu, e, na minha opinião, degenerou numa espécie de vivo-morto presidencial comandado por uma difusa conspiração negra de vontades e interesses criminosos dissimulados. Deste sinistro caso de polícia, até aos pecadilhos indecorosos e inaceitáveis num ex-primeiro ministro com ambições presidenciais (refiro-me à mágica metamorfose da Vivenda Mariani em Vivenda Gaivota Azul), sobram sinais mais do que evidentes da nódoa, não apenas política, mas também ética, que Cavaco Silva é para uma qualquer verdadeira democracia.

Em conclusão, os dois principais candidatos presidenciais espelham bem a condição terminal do actual regime minocrático. Votar em qualquer deles significaria apenas um acto de masoquismo político, e um clamoroso erro de cidadania democrática. Se a democracia foi capturada por piratas, a nossa obrigação é resgatá-la, e não atirar-lhe pérolas.

Por fim, os candidatos "anti-sistema", censurados ou vituperados pela generalidade dos opinocratas pagos, directa (RTP,1 RTP-N, RTP2) ou indirectamente (TVI, SIC, TSF, DN, JN, etc.), com os nossos impostos, embora configurando soluções improváveis, terão certamente o mérito de expor as feridas da nossa aprisionada democracia. Se chegarem aos dez, ou mesmo aos quinze por cento da votação, num cenário fortemente marcado pela abstenção, o sinal de partida para uma refundação do regime ficará dado. Outros protestantes lhes seguirão os passos. Se forem um pouco mais jovens, e conseguirem arrastar para a causa pública os jovens que num futuro próximo deixarão de ter lugar para onde emigrar, a esperança de uma democracia mais representativa, ágil, transparente e menos corrupta do que a actual ganhará força. De momento impera o desânimo — e isso é a maior derrota que um regime pode sofrer.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Estado e liberdade

Alemanha, um exemplo a seguir...

Francisco de Goya - "Saturno devorando a un hijo", 1819-1823.

 Os países emergentes não são neoliberais, e os países governados por elites neoliberais são, aparentemente, responsáveis pela decadência do Ocidente, pela maior crise financeira desde 1929, e por uma vaga de destruição de riqueza (de empresas e de empregos) sem precedentes.

Esta é uma constatação a que não se consegue escapar. O mundo anglo-saxónico do dólar e da libra procuram resolver a actual crise financeira mundial insistindo estupidamente no abuso das práticas especulativas (Subprime; mais recentemente, a tentativa de criar um mercado mundial especulativo de emissões de carbono, etc.) e inflacionistas (Quantitative Easing; desvalorização competitiva das taxas de juro dos bancos centrais —Japão, EUA, UE; emissão imoderada de dívida pública; criação de moeda sob a forma de activos ficcionais, i.e. dívida pública, etc.) A Alemanha de centro-direita, pelo contrário, insiste na necessidade inadiável de impor uma maior disciplina orçamental aos governos e suas clientelas, e uma maior racionalidade nos negócios, insistindo também na necessidade de manter e potenciar elevados níveis de criação e produção efectiva de bens transaccionáveis, renovando as indústrias, com melhores tecnologias, mas também mais eficientes métodos de gestão e partilha social dos benefícios da produtividade e da competitividade. São duas visões que, curiosamente, continuam por debater — nos adequados termos que suscitam e merecem.

As duas citações que se seguem são bem sintomáticas do universo traçado por Christoph Schwennicke no excelente artigo publicado pelo Spiegel online. Que grande parte das pressões neoliberais na Alemanha tenha sido fruto, entretanto apodrecido, do SPD de Gerhard Schröder, é toda uma ironia política que o senhor Manuel Alegre, mas sobretudo quem no PS estuda a possibilidade de suceder a José Sócrates, deveriam estudar a fundo. Pois desse estudo poderá nascer um programa eleitoral que faça sentido e possa realmente prometer futuro a Portugal.

Tomás Correia: suspende pagamento
O Montepio (...) cessou as modalidade de reforma com juros de 4 a 6% por causa da crise e do aumento da esperança de vida. Já registava prejuízo de 30 milhões. — Correio da Manhã, 2011-01-19.

Central Bank steps up its cash support to Irish banks financed by institution printing own money

The Irish Independent learnt last night that the Central Bank of Ireland is financing €51bn of an emergency loan programme by printing its own money.
(…)
However, the figures also provide the latest evidence that responsibility for funding Ireland's broken banks is being pushed increasingly back on to Irish taxpayers. The loans are recorded by the Irish Central Bank under the heading "other assets". — Independent 2011-01-15.
 Germany and Europe Must Defy Political Trends
A commentary by Christoph Schwennicke

Germany's economy is in good shape because it resisted the fashion of neoliberalism. Europe should show the same defiance in the face of self-serving predictions that the euro is doomed. The financial and debt crises have highlighted the need for strong governments -- and for more Europe, not less.

(…)

The term "capital cover" was misleading in three ways. First, it covered up the fact that contributors must contribute fresh money of their own. Second, there was the risk inherent in the capital market. Finally, there was the question of who consistently benefits from this new system.

The risks have since caught up with the new system and, in the course of the financial crisis, brought down its apologists along with the economy. Hans Martin Bury, after serving as Schröder's right-hand man at the Chancellery, worked as an investment banker at Lehman Brothers, the firm whose bankruptcy triggered the financial crisis. Private health insurance companies face precisely the same problems -- obsolescence and financial difficulties -- as their competitors in the statutory health insurance system because, on the one hand, their hand-picked, young, healthy and dynamic clientele has become older and more susceptible to illness and, on the other hand, the return on their reserves is stagnating.

(…)
The Right Investment

The lesson to be drawn from the current experience should be not less Europe, but more Europe, a more integrated Europe, with weatherproof institutions like a European monetary fund, a common economic and social policy and -- if need be -- common bonds. Europe has more to offer and more to lose than just a common currency. It is more than a large trading zone. Continental Europe is a cultural zone with the world's most exemplary political value system. Anyone who attacks it or derides it is pursuing an interest, one that is economic or hegemonic. We should be aware of this. Even if Germany always supposedly pays more than everyone else, it's the right investment. — SPIEGEL online, 2011-01-18.
O nosso regime está no fim de um longuíssimo ciclo histórico. Um ciclo de seiscentos anos! Desde 1415, ano que levou Portugal a Ceuta, e daí a uma expansão marítima colonial sem precedentes, que duraria até à devolução de Macau à China, em 1999, vivemos uma situação privilegiada, apesar dos muitos que nunca lucraram nada com isso. Para esta reflexão, porém, importa reter um facto: o Estado foi sempre o centro do nosso universo económico e cultural. Todos dependemos dele até ao momento em que as suas inúmeras tetas coloniais secaram. À medida que foram secando, fomos caindo aos trambolhões, do Brasil para uma guerra civil e mais endividamento; do Mapa Cor-de-rosa para a ditadura de João Franco, o regicídio e a balbúrdia republicana que nos conduziria às ditaduras de Sidónio Pais e de Salazar; do 25 de Abril, aos solavancos de um regime cuja bancarrota só não foi ainda declarada porque a União Europeia nos tem posto a mão por baixo. As três últimas grandes tetas —emigração, turismo e fundos comunitários— estão em fim de ciclo, e vão provavelmente mirrar de vez até 2015. E depois de 2015, como vai ser? Ou melhor, e agora, que será feito de nós? O Estado? Qual Estado? Que novo Estado vamos querer e poder? O Estado alemão, que nunca foi outra coisa que não um think tank estratégico; ou o Estado português, tradicionalmente cabotino, arrogante, manhoso, preguiçoso, pejado de clientelas e carraças orçamentais, autoritário com os fracos e corrupto com os ricos e poderosos, em suma, faustoso, paquiderme, ignorante e cobarde? Só de ouvir o Pinóquio arranhar o seu inglês de fax, todo o meu patriotismo vacila!

Vamos precisar de Estado, dum Estado. Mas qual? Esta é a discussão de que dependerá a nossa continuidade histórica, ou o nosso desaparecimento (sim, as nações e os países aparecem e desaparecem.) Não percamos, pois, mais tempo com a tragicomédia mediática que entra pelas nossas casas dentro à hora de jantar!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Bolha fatal

Comissão Europeia aposta no gás de xisto
Shale gas is the subprime mortgage of the energy sector” — Jeff Rubin.



Protests spread over first European shale gas well

While the EU is looking at ways to diversify its energy supply, a new report has called for a moratorium on shale gas operations in the UK, just a month before mining company Cuadrilla hopes to launch its first “flare”.

(…) “With shale gas exploration you need to crack the rock underground using special chemicals and drill horizontally and continuously. Parts of the chemicals could get into underground drinking water sources,” he said.

(…) A European Commission representative gave a broadly positive reaction to the news.

“We believe that shale gas is an opportunity,” Marlene Holzner, spokesperson for EU Energy Commissioner Günther Oettinger, told EurActiv. “We need gas and gas demand will increase over the years so if we’re able to extract this gas, it will help us to rely less on imports.” — in EurActiv, 2011-01-18.

Compreende-se o desespero do Reino Unido e da Noruega depois de se ter tornado público e notório o declínio rápido das suas reservas de petróleo. Compreende-se o desespero dos países frios da União Europeia à medida que vão percebendo a sua dramática dependência do gás natural russo para se aquecerem em Invernos cada vez mais gélidos e intempestivos. O petróleo de Brent chegou hoje aos 97,09 USD.

Os países e as pessoas estão cada vez mais endividados, numa conjuntura de crise sistémica do Capitalismo, numa conjuntura de verdadeiro saque fiscal das populações europeias, e numa conjuntura de destruição de emprego e empobrecimento como não se via na Europa há décadas. Como se isto não bastasse, os grandes piratas da economia ocidental, que atraíram milhões de pessoas, centenas de milhar de empresas, centenas de cidades e dezenas de estados para falência, tentam agora desesperadamente colocar em marcha mais uma bolha especulativa.

A primeira tentativa falhada, depois do colapso imobiliário, foi a do nado-morto mercado mundial de créditos de carbono, que se havia pendurado habilmente nos movimentos anti aquecimento global. A segunda, foi e continua a ser a especulação em volta das dívidas soberanas, colocadas “no mercado” (para citar as palavras do nosso Pinóquio das arábias), como mais um produto de especulação financeira. Esta bolha vai esvaziar em breve, seja pela acção preventiva e ajuizada de Angela Merkel, seja pelo abandono progressivo do dólar, por parte dos principais países produtores de matérias primas e produtos manufacturados. Perante horizonte tão negro, o especulador dos especuladores, e criador do veneno chamado Credit Default Swap, J. P. Morgan & Co., acaba de fazer ressuscitar uma história com barbas, de que já se ouvira falar por cá em 2009: a suposta riqueza da Europa em gás de xisto (ou shale gas). Este milagre da especulação que algum corrupto lobby de Bruxelas acaba de lançar para o ar, além de consumir quantidades criminosas de água, de ameaçar com infiltrações potencialmente fatais terrenos, aquíferos e as próprias instalações urbanas existentes, sabe-se de ciência feita que é uma não solução, economicamente ruinosa, e com uma taxa de declínio duas vezes mais rápida do que a do gás natural convencional. Tal como o petróleo betuminoso, e o petróleo de profundidade, das ditas camadas pré-sal (com que a GALP e a Petrobras gostam de empolar as suas cotações em bolsa), o gás de xisto não dá para o que custa produzi-lo. Logo, é mais uma lebre para nos distrair, enquanto o Titanic da prosperidade económica, social e cultural do Ocidente caminha para uma irremediável decadência.
Unconventional Gas in Europe - Opportunities and Risks
By Alexandros Petersen, 6th January 2011

Bullish predictions are being made about a revolution in unconventional gas in Europe; yet, Europe’s threshold for larger-scale shale gas development still remains uncertain, with a range of obstacles – from environmental concerns to economic viability - balancing out the various incentives to move forward.  Unconventional gas, such as shale and tight gas, has had a dramatic impact on the US gas market, increasing energy security and steering prices downward as production and resources have headed in the opposite direction.  By 2008, shale alone accounted for 9.5% of all US gas production and by 2009, according to some estimates, 20% of US gas supply came from this source. Following these successes, Europe is now being aggressively explored for its suitability in terms of unconventional gas production as it hopes to follow in the footsteps of its transatlantic partner.  There has been a significant uptick in activity and dealmaking focusing on European shale in just the last six months. However, the picture in Europe is very different from the United States and, from an economic perspective, the play may not bear fruit.

É o gás de xisto a tal bala de prata que levará os Estados Unidos e a Europa a superar a profunda e longa crise em que se encontra? “If shale gas is a game changer, then why are all the major producers looking for oil??” — pergunta e responde Jeff Rubin. Vale a pena ouvi-lo na entrevista que deu no passado dia 13 de Janeiro ao canal BNN video.


POST SCRIPTUM
Para quem estiver interessado em colocar este tema na agenda da cidadania pró-activa, recomendo o portal web Gasland, de Josh Fox. E ainda a consulta deste insidioso PDF da Statoil (companhia norueguesa estatal de petróleos) sobre o futuro radiante do shale gas.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Tunísia, Argélia... Irlanda?

A Europa que abra os olhos!



Tunísia: O desempregado que derrubou um ditador

Na Tunísia, como em outros tantos países, não são as qualificações ou o mérito que determinam o sucesso. É antes o nome, o casamento ou a filiação partidária.

No desemprego, Bouazizi viu-se forçado a vender frutas e legumes nas ruas da sua cidade natal do centro-oeste, Sidi Bouzid, para alimentar a família. Mas não tinha a necessária licença de comércio, difícil de obter no labirinto da burocracia e corrupção tunisina. A 17 de Dezembro de 2010, a polícia confiscou-lhe a banca e a balança. Segundo testemunhos locais, terá sido agredido e humilhado pelas autoridades.

Nessa mesma sexta-feira, Bouazizi deslocou-se à autarquia de Sidi Bouzid para tentar regularizar a situação. Não conseguiu. Com o dinheiro que restava, comprou um litro de gasolina. Despejou o combustível sobre a cabeça e imolou-se pelo fogo.  — pedro.guerreiro{arroba}sol{ponto}pt . Sol, 2011-01-15.

Feliz ou infelizmente, a Europa envelheceu muito nas últimas décadas, e por esta única razão é altamente improvável que as suas crises venham a ser resolvidas por meio de revoluções sociais violentas. Com a possível excepção da Irlanda, onde a juventude poderia assumir ainda algum protagonismo (se não emigrasse tanto...), o resto da Europa, e mais ainda a Rússia, mas também a China, o Canadá e os Estados Unidos, ou a Austrália e a África do Sul, a Namíbia, o Botswana e o Zimbabué, exibem demografias praticamente estagnadas ou a caminho da estagnação. Pelo contrário, países como a Índia, Paquistão, Afeganistão e repúblicas do Mar Cáspio, à excepção do Casaquistão, o Sudeste Asiático e quase todo o continente africano, e ainda o México e toda a América Central e do Sul, à excepção de Cuba, da Guiana Francesa e do Uruguai, apresentam demografias pujantes, apesar da miséria material da esmagadora maioria das suas populações. Sem olharmos bem para este mapa demográfico da humanidade, dificilmente perceberemos as tendências de longo prazo, e até as modalidades prováveis de evolução histórica dos acontecimentos.

O que está neste momento a desenrolar-se na solarenga Tunísia, e que alastrou já à Argélia, Marrocos, Jordânia, Líbano e Egipto, e em breve poderá chegar à Arábia Saudita, é uma resposta social à crise energética mundial e suas consequências nefastas em toda a cadeia económica. Mas é também um despertar de energias revolucionárias que poderá deixar para trás o programa ideológico limitado e as tácticas terroristas de Bin Laden. A Al Jazeera escreve: “Tunisians have sent a message to the Arab world, warning leaders they are no longer immune to popular anger” — inTo the tyrants of the Arab world...” E no boletim deste mês do GEAB lê-se:
The downfall of pro-Western Arab regimes

Tunisia and Algeria were rocked by riots and Jordan, Egypt and Lebanon are experiencing serious problems. Beyond the reactions to higher prices for basic necessities, it is the first political shock of the "fall of the Dollar Wall". The regimes in question are typically powers supported at arm's length by Western money, that’s to say basically the US Dollar. The rapid erosion of Western credibility and financial resources especially US is already beginning to make itself felt, just like European impotence outside its borders. These countries’ elite are accustomed to feel "untouchable" thanks to their US and European protectors: their fall will be brutal as they realize only now that the "West" can’t really protect them. At least Mikhail Gorbachev warned Eastern European leaders that the Red Army would no longer intervene to support them! 2011 will, therefore, be the year when the "Western-Arab dominoes" start to fall. — in GEAB nr 51 - January 16, 2011.

De cada vez que é mais caro extrair um barril de petróleo, e de cada vez que a procura mundial de petróleo aumenta, por efeito do crescimento demográfico exponencial da humanidade, da expansão económica mundial, ainda que abaixo dos 4% (como se prevê para 2011), ou de um mero ciclo expansivo da produção industrial (como o que actualmente regista a Alemanha), acontece uma coisa inevitável: o preço real da alimentação sobe! E porquê?

Porque só é possível alimentar os actuais 6.900 milhões de seres humanos recorrendo ao auxílio de fertilizantes, pesticidas e sistemas de transporte dependentes do petróleo e do gás natural. Sem estes dois hidrocarbonetos, mesmo juntando ao carvão e ao nuclear todas as outras formas de energia em uso, incluindo todas as renováveis existentes e por existir, não há pão, nem água para todos. O pão que houver, e a água potável que houver, à medida que formos tendo consciência do fim do petróleo barato, serão cada vez mais caros e racionados.

O que está a suceder na Tunísia é o resultado de uma crise de recursos global. Subida insustentável dos preços do pão, água e energia, falta de dinheiro, falência das actividades empresariais, das cidades e dos governos, desemprego em larga escala, e uma corrupção cada vez mais descarada e insultuosa, são os mesmíssimos fenómenos que actualmente afligem as sociedades portuguesa, espanhola, grega, ou norte-americana. Há, porém, duas diferenças importantes: por um lado, as moedas fortes europeia e americana disfarçam, por enquanto, a especial gravidade da situação nos respectivos territórios económicos; por outro, a probabilidade revolucionária é mais elevada em países com demografias expansivas, onde corre o sangue jovem da rebelião, do que nos países envelhecidos (onde o tempo dos golpes palacianos, como na antiga Roma decadente, voltará a estar na moda.)

A guerra contra o Afeganistão, levada a cabo pela decadente civilização ocidental, é uma guerra de velhos, tecnologicamente assistidos por próteses sofisticadas e traiçoeiras, contra populações jovens que aspiram, como todos nós, ao bem-estar e à felicidade. O desfecho parece inexorável. Acabaremos por perder!

ÚLTIMA ACTUALIZAÇÃO : 2011-01-18 0:56

BP: Bolshoi Petroleum

Sem especulação, o capitalismo actual afunda-se como um Titanic
The Kremlin is about to become the biggest shareholder in BP

BP is set to do a $16bn share swap with Rosneft, Russia’s biggest oil producer. Rosneft – which is state-owned, hence the Kremlin connection – will own 5% of BP. BP’s stake in Rosneft will rise to near 11%.
So what’s behind the deal? It’s all about access to new reserves. BP is going to explore the Russian Arctic with Rosneft. This is a complicated, risky region. That’s why Rosneft needs BP’s expertise. The payoff could be huge – the region has been described as a new North Sea, in terms of its potential. — Money Week, 2011-01-17.
Para lá de toda a esperança em novas jazidas de petróleo escondidas pelo gelo do Árctico, o que está em causa nestes movimentos são três coisas distintas:
  1. negociar parcerias estratégicas onde o poder das armas deixou de funcionar — este cruzamento de participações poderá significar, em breve, impensáveis aproximações da BP ao Irão.
  2. aumentar os activos estratégicos das empresas, por forma a apreciar as respectivas cotações em bolsa, sem o que as gigantescas necessidades de capital fresco para investir, e sobretudo para pagar dívidas, não afluirá facilmente (por cá, insisto na observação atenta dos casos EDP e GALP, ambas presas apetecíveis e cada vez mais indefesas!)
  3. reparar o motor de arranque da economia capitalista mundial, i.e. as bolsas, para o que se procuram desesperadamente novas bolhas especulativas, que possam reparar o colapso da bolha imobiliária que antecedeu o colapso à vista da bolha soberana; e substituir as tentativas falhadas de criar duas bolhas verdes, uma a partir do mercado de emissões de carbono, e outra em volta das energias eólicas e solar. Há presentemente duas bolhas em formação, que poderão rebentar antes do tempo, mas ainda assim estão aí: a bolha do gás de xisto (shale gas), e a bolha do que poderíamos chamar a GLOBALIZAÇÃO IMPROVÁVEL —i.e. o cruzamento de participações entre gigantes económico-financeiros politicamente inimigos!

REFERÊNCIAS

domingo, janeiro 16, 2011

O Aviso

Tragédia dos Comuns
mais importante do que uma tempestade solar




Ver todo o documentário no sítio da Frontline.

O custo estimado da prevista grande tempestade solar de 2013 — 1 a 2 biliões de USD (o Furaccão Katrina terá custado entre 80 a 125 mil milhões) — é ainda assim insignificante quando comparado com o buraco negro dos derivados financeiros OTC, cujo valor nocional era, em Junho de 2010, segundo o BIS, de US$582.655.000.000.000 (10x o PIB mundial), e a que corresponderá, segundo o mesmo "banco dos bancos centrais", um valor bruto de mercado na ordem dos 24,673 biliões de USD.

Estamos pois a caminho de uma inimaginável tragédia com uma origem estrutural única: a exaustão dos recursos energéticos e naturais do planeta, que é, por sua vez, consequência paradoxal da insustentável demografia humana tornada possível pela qualidade do nosso desenvolvimento. É isto a Tragédia dos Comuns.

A crise mundial do endividamento, a que deram livre curso a desregulação da era Greenspan (de Clinton a Bush) e os instrumentos de especulação financeira, engendrados em 1987 por Drexel Burnham Lambert (os catastróficos CDO — Credit Default Obligation), ou em 1994, pelo J.P. Morgan & Co. (os catastróficos CDS — Credit Default Swaps), significa não só uma clara fuga em frente perante as dificuldades estruturais do Capitalismo, mas sobretudo a ocultação criminosa do que a crise petrolífera de 1972 significara: o fim próximo de um concentrado de energia e de materiais químicos acumulados ao longo de centenas de milhões de anos, cuja descoberta tornou possível as sociedades industriais afluentes dos últimos duzentos anos e a insustentável explosão demográfica da humanidade. Não vale a pena perdermos demasiado tempo com o jogo da culpa. Estamos perante uma emergência sem precedentes. É preciso pensar nas suas consequências, bem como nas respostas e custos das acções radicais que em breve seremos todos forçados a tomar.

A segurança e eficiência energéticas, e a autonomia e segurança alimentares, são as duas prioridades absolutas para qualquer país, ou grupo de países, que queira e possa agir desde já. Tudo o mais pode esperar.

É importante perceber as causas da actual crise sistémica do Capitalismo, contornando ao mesmo tempo a irresponsabilidade dormente dos bangsters e do seus spin doctors, e as orações cada vez mais ininteligíveis dos herdeiros oportunistas e burocráticos da esquerda marxista.

J20

Caça furtivo chinês chega uma década antes do previsto

China Flexes Its Muscles with Stealth Fighter Test

For a stealth fighter, it was a remarkably obvious flight, but perhaps that was the point. On a day when U.S. Defense Secretary Robert Gates was in Beijing meeting with Chinese President Hu Jintao, China's new stealth fighter took what is believed to be its maiden test flight, according to a defense analyst.

(…) While en route to Beijing, Gates told reporters that the U.S. had been tracking the development of China's stealth fighter but that the earlier tests had come as something of a surprise. "They may be somewhat further ahead in the development of that aircraft than our intelligence had earlier predicted," he said. — Read more in TIME.




As imagens captadas pelos planespotters chineses, que as autoridades de Pequim deixaram passar, revelam um facto muito importante: a China está adiantada no plano que traçou para a expansão da sua influência no mundo. A explicação deste adiantamento pode residir na própria crise sistémica do Capitalismo. O colapso precipitado e aparentemente incontrolável do Ocidente, sobretudo depois de rebentar a bolha incomensurável do mercado de derivados financeiros, não pára de fazer vítimas —mercado imobiliário, bancos, e agora as dívidas soberanas. O nervosismo, a impaciência e as explosões súbitas de violência, nomeadamente contra os poderes instituídos, começaram já a fazer as suas vítimas. Como se isto não bastasse, temos pela frente a confluência de duas crises anunciadas: a crise das alterações climáticas, e a crise energética global induzida pelo fim do petróleo barato. A inflação dos preços alimentares e o colapso, em breve, do sistema de transportes de pessoas e bens que há décadas usamos e consideramos uma trivialidade insubstituível, ameaçam já de forma grave —para lá de toda a retórica e impotência dos últimos dez anos— a segurança mundial.



Não é possível uma acumulação de riqueza e poupança, rápida e em grande escala, sem pelo menos uma de duas condições prévias: a sobre-exploração do trabalho humano, ou o acesso não limitado a abundantes recursos materiais, energéticos e alimentares. Pior ainda, nas actuais condições demográficas e de esgotamento das fontes de energia barata, de escassez de água potável, e de exaustão dos solos, ainda que regressássemos à escravatura, seria impossível alimentar a actual população mundial para lá de 2030, ou 2050. Desde 1972 que se prevê um colapso demográfico sem precedentes como desenlace possível da insustentabilidade do actual crescimento exponencial da humanidade e consequente decréscimo, igualmente exponencial, dos recursos disponíveis. Sem percebermos isto, não saberemos como, nem porquê, os poderes do mundo iniciaram a contagem decrescente de uma nova guerra mundial.

sábado, janeiro 15, 2011

Bangsters!

A China entra no próximo dia 3 de Fevereiro no ano do coelho.
E nós também. Saltam por todos os lados!



Pois é, o senhor Cavaco saiu-me um bom figurão. De acima de toda a suspeita, nada! Com mais umas  semanas de revelações ainda se punha em marcha um processo de Impeachment. Só não percebo o motivo porque a Tríade de Macau agiu tão tarde. Erro de cálculo, ou cálculo certeiro?

A minha teoria é há muito esta: a Tríade de Macau prefere ter o amigo da sociedade de bangsters SLN/BPN prisioneiro das suas inconfessáveis distracções, inconveniências, prováveis ilegalidades e escandalosas solidariedades.

Mas como o desajeitado Silva resolveu atacar a actual monitorização do BPN, os alarmes tocaram em São Bento, e a resposta não se fez esperar, contundente. Será possível arrefecer depois das eleições a actual dinâmica de embate fatal? Não sei...

Tenho, no entanto, um palpite: a Tríade de Macau não vai deixar cair no regaço dos bangsters do BPN toda a sementeira que fizeram no Brasil, Líbia, Argélia, Venezuela e China!

Fernando Fantasia, administrador da SLN e membro da Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva, comprou 4000 hectares de terrenos em Alcochete (por 250 milhões de euros?), 15 dias antes de Sócrates ter anunciado o fim do embuste da Ota. Se compaginarmos isto com a tentativa insistente e já desesperada de boicotar a nova ligação ferroviária rápida, para passageiros e mercadorias, entre Lisboa (Sines-Setúbal) e Madrid (resto de Espanha), em nome da construção duma cidade aeroportuária (Augusto Mateus dixit) e de um novo aeroporto em Alcochete, com a consequente privatização da ANA, percebemos melhor os altos serviços que o traste Cavaco Silva poderá prestar à Nação. Votem nele, votem. Mas depois não se queixem!

O novo aeroporto de Alcochete é uma impossibilidade económica e financeira comprovada. A sua construção seria mais um prego no caixão de Portugal. Não nos esqueçamos que foram as Olimpíadas e o novo aeroporto de Atenas os principais responsáveis pela precipitação do colapso económico, financeiro e social da Grécia!

Jorge Coelho, Passos de Coelho, Aldeia da Coelha — vamos mesmo entrar no ano do coelho! Mas aquele de quem gosto mais é mesmo o candidato madeirense às presidenciais, José Manuel Coelho. Sinal dos tempos...

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Pequim, meu amor!

TOYOTA: “Where there is a road, there is a Toyota.”
VW: “I’m not afraid of going anywhere in a Santana.”

Em 1992 a China produzia 1M de automóveis; em 2001, 2M, e em 2010: 18 Milhões!

Xangai: a China comprou 999 Ferrari desde 2004.
"China and Germany have never come face-to-face with conflict or dispute in history. Besides, Chinese think highly of German's sincere apology after World War II. That's why I say Germany has a natural advantage over Japan." — Yan Guangming in "European automakers cash in on China car boom" China Daily, 2011-01-14".
A China tornou-se em 2010 no maior construtor de automóveis do planeta, ultrapassando os EUA. E nesta corrida, convém dizer que o grande símbolo de identidade entre a nova China e o automóvel vem da Alemanha, mais precisamente da Volkswagen, e chama-se Santana.

Recordo a primeira vez que estive em Xangai, no ano de 1999, a impressão que então me causou o facto de nove em cada dez carros que me passavam pela frente, com especial destaque para os táxis, serem Santanas às cores, metalizados, com frisos e para-choques cromados, vidros negros atrás, estofos claros, e quando se tratava de um táxi, ao lado do motorista, a presença quase misteriosa, mas invariável, de um frasco de chá verde, entre os bancos da frente ou fixo em qualquer parte do tablier.

Mais recentemente, em 2008, estive em Pequim, poucas semanas antes do Jogos Olímpicos. O panorama automóvel já era outro, mas nem por isso menos alemão. Em vez da predominância dos velhos Santanas, abundavam, entre os táxis, os Volkswagen Jetta, em concorrência evidente com os sul-coreanos Hyundai Elantra ou mesmo Sonata. Mas o mais impressionante foi a abundância de Audis 6 e 8, e de Mercedes topo de gama, que desfilavam à porta do hotel e pelas ruas. Na zona onde estive durante uma semana, relativamente perto da Cidade Proibida e da Praça de Tianamen, não vi nenhum Ferrari, mas sim um esplêndido Porche 911 amarelo, descapotável, com o qual me cruzei, eu a pé, e ela ao volante, pelo menos meia dúzia de vezes.
Luxury carmakers are gearing up for rich pickings in the Chinese market

“By the end of 2009, the Chinese mainland had 875,000 millionaires, up 6.1 percent year-on-year, according to the 2010 Hurun Wealth Report - and top-end cars are on top of shopping lists of wealthy Chinese.”

“…By the end of 2009, the Chinese mainland had 875,000 millionaires, up 6.1 percent year-on-year, according to the 2010 Hurun Wealth Report - and top-end cars are on top of shopping lists of wealthy Chinese.”

“…In the first 11 months of last year, Audi’s China’s sales topped 200,000 units, maintaining its two-decade reign in the country’s luxury car market. But rivals BMW and Mercedes-Benz are not far behind.

From January to November 2010, BMW sold 152,866 vehicles - a massive rise of more than 90 percent from a year earlier - and Mercedes-Benz moved 129,500 vehicles in the same period, swelling 119 percent.” — in Posh parade, China Daily, 2011-01-14.

Imagino que dois anos e meio depois, com a economia alemã a crescer 3,6% em 2010, as ruas de Pequim comecem a polvilhar-se com outras marcas, mais liberais e menos institucionais: os BMWs, os Porches, e um número crescente de exemplares vermelhos do sempre irresistível Ferrari. Os chineses adoram o vermelho, o desenho europeu, e sobretudo a qualidade, fiabilidade e honestidade alemãs. Não são muito diferentes dos portugueses. Na realidade, somos dois países do mesmo signo: Peixes!

O rendimento disponível médio dos habitantes de Pequim (ler este  elucidativo artigo do China Daily) rondava, em 1983, os 5,7 euros mensais. Em 2010, chegou aos 2228 Yuan, ou seja, 256 euros. A moral da história é clara: enquanto a China enriquece a olhos vistos, americanos e europeus, sobretudo os europeus menos organizados e menos competitivos, como é o nosso triste caso, estão a empobrecer.

Em Portugal, apesar de ser quase impossível saber qual é o rendimento disponível per capita em Lisboa e no Porto, tal é a pobreza da informação económica disponível online, podemos fazer uma conta simples: se ao salário médio, de 894 euros, retirarmos 30% para impostos, obtemos um rendimento disponível mensal na ordem dos 626 euros. Como o desemprego continua a aumentar, nomeadamente em consequência do colapso financeiro do país e dos seus insustentáveis níveis de endividamento, é de prever que este valor continue a degradar-se. Resumindo: entre Lisboa e Pequim, o custo do trabalho já é irrelevante para o sucesso dum negócio. As rendas comerciais e de habitação são mais elevadas na capital chinesa do que em Lisboa, os serviços andam ela por ela, os impostos são mais baixos na China do que em Portugal (obviamente!) e, por fim, oportunidade e mercado são coisas que não faltam a oriente, e parecem ter-se evaporado no Ocidente. A conclusão do raciocínio é irrecusável: há que aprender Mandarim, e depressa.

A marca de roupa barata sueca H&M vai encerrar em breve a sua produção em Portugal. O motivo é simples de entender: só conseguem produzir trapos a custo zero se o trabalho for de borla. Ora o trabalho no nosso país já não é de borla, felizmente. Mas também na China deixou de ser! De facto, as fábricas que da Europa e da América se deslocaram para a China nas décadas de 80 e 90 do século passado, estão já a deslocalizar-se para novas paragens: Vietname, Cambodja e... México!

Em Portugal, se não nos libertarmos a tempo da democracia burocrática, palaciana, partidocrata e corrupta que nos conduziu até ao actual atoleiro, ainda acabaremos por importar, com fanfarras sindicais atrás e tudo, as maquiladoras de Tijuana e Ciudad Juarez para repovoar o Vale do Ave.

É preciso corrigir drasticamente o comportamento político das nossas elites burocráticas, ou a sua acção irresponsável e egoísta acabará por destruir o país. O maná acabou. Ajustar toda uma tradição colonial a novas regras de racionalidade, honestidade e inteligência colectiva, vai ser o nosso maior desafio, nesta e na próxima década.

ÚLTIMA ACTUALIZAÇÃO: 2011-01-14 17:39