quarta-feira, agosto 27, 2003

Dodgy Dossier

Microsoft Word atraiçoa Tony Blair


Depois do último relatório de Hans Blitz, que era inconclusivo sobre a existência de Armas de Destruição Maciça (ADM) no Iraque, e depois de Saddam Hussein ter ordenado a destruição supervisionada dos misseis cujo raio de acção ultrapassava os limites impostos pelas sanções da ONU, os falcões de Washington estavam sem um único motivo plausível para uma acção de guerra ao abrigo da Lei Internacional. Não havia agressão Iraquiana, nem havia sinais de uma ameaça credível iminente. Foi então que Tony Blair e os seus incompetentes Serviços de propaganda resolveram deixar escapar para a opinião pública dois relatórios supostamente comprometedores para o Iraque. Num deles (Setembro 2002), mencionava-se a aquisição de combustível nuclear ao Niger e a possibilidade de o Iraque desencadear um ataque com AMD, 45 mn após dada a respectiva ordem; no outro (Fevereiro 2003), explanava-se longamente sobre a complexa máquina de informação e guerra Iraquiana. Ambos os relatórios, soube-se pouco tempo depois, foram substancialmente forjados, e no segundo deles, pior do que isso: procedeu-se a um extenso e descarado plágio dum artigo do analista e doutorando Ibrahim al-Marashi, publicado na Internet pela revista MERIA. As famosas informações a que Tony Blair teria tido acesso devido ao trabalho dos seus brilhantes Serviços Secretos não passavam, afinal, de contra-informação grosseira e de crime de abuso dos direitos de autor.

A bronca tornou-se ainda mais grave quando alguém - Glen Rangwala - resolveu analisar a "meta data" do documento Microsoft Word publicado na Internet pelo próprio Gabinete de Tony Blair. Soube-se então que o texto fora não só largamente copiado, mas que pessoal da mais estrita confiança de Tony Blair havia retocado e apimentado o documento para fins propagandísticos! Tudo isto não passaria dum "fait divers" se não estivessem em causa muitas coisas importantes, tais como a credibilidade das democracias ocidentais, a morte misteriosa do Dr. David Kelly e a morte de muita gente inocente no Iraque, e sobretudo o agravamento de uma fractura civilizacional (entre o Ocidente anafado e ávido de bens, cada vez mais laico, e um Oriente Islâmico, cada vez mais pobre e religiosamente radicalizado).

Embora a meta-informação dos documentos Microsoft Word possa ser apagada, nomeadamente quando salvamos os documentos no formato HTML, RTF ou PDF, a verdade é que há milhões de documentos Word publicados na Web no interior dos quais repousa uma infinidade de dados escondidos, cuja importância pode ser tão decisiva como a que levou à descoberta da marosca cozinhada no célebre N10 de Downing Street. O Governo de sua Magestade decidiu, depois deste escândalo, abandonar o processador de texto do Sr Bill Gates, optando decididamente pelo formato PDF do Acrobat Publisher da Adobe. E por cá, como vão as coisas? Quantas confidencialidades permanecerão semi-escondidas nos milhares de Microsoft Word "docs" publicados por empresas e organismos oficiais na Net? -- ACP


Referências:

BBC News. The hiden dangers of documents, by Mark Ward.
Microsoft Word bytes Tony Blair in the butt, by Richard M. Smith.
[casi] Intelligence? the British dossier on Iraq's secutity infrastructure, by Glen Rangwala.
Dodgy Dossier - Wikipedia.
Scalable Exploitation of, and Responses to Information Leakage Through Hidden Data in Published Documents, by Simon Byers. (PDF)
Cure Zone [the misterious deaths of too many microbiologists].
U K Parliament. Oral evidence by Dr. David Kelly.
Ibrahim al-Marashi. Bios.

¶ 5:15 PM

domingo, agosto 17, 2003

O Estado do Museu

Bastava-nos um Museu Nacional do Homem, das Artes e das Tecnologias


Casa da Musica.©Bert de MuynckO-A-M
blog #8
Domingo, Agosto 17, 2003
IMG - Foto: Bert de Muynck 

Num País como o nosso, onde não chegou a existir um museu de arte "moderna" e "contemporânea", internacional, digno desse nome, em todo o século 20, assistimos, neste arrancar problemático do século 21, à degradação funcional da generalidade dos museus nacionais e municipais, com exemplos tão escandalosos quanto a asfixia orçamental do Museu Nacional de Arte Antiga, a sub-optimização do precioso Museu Nacional de Etnologia, a paragem da Rede Portuguesa de Museus, ou o total abandono a que foi votada a Via Sacra setecentista do Parque Nacional do Buçaco. As lojas do Instituto Português dos Museus, as recuperações de património realizadas ao longo dos últimos 20 anos e ainda a construção do Museu de Serralves, alimentaram a esperança de vermos o Estado Português assumir alguma dignidade e algum profissionalismo nestas matérias. Enganámo-nos. Sem dinheiro para pagar aos desempregados, com as receitas fiscais a descer, com níveis de corrupção endémica insuspeitados e um Governo atolado nas suas próprias incapacidades e alianças político-sociais, o futuro que nos espera não promete nada de bom. Com a Bolsa Portuguesa à beira do fim e o esvaizamento da almofada financeira proporcionada pelos Fundos Estruturais e de Coesão, pergunto: quem irá alimentar financeiramente a Casa da Música, o CCB e o Museu de Serralves depois de 2006? Duvido que venha a ser o Estado, venha quem vier depois de Durão Barroso.

A formidável pressão que hoje se abate sobre o chamado Estado Providência, e que não cessará de aumentar nas décadas mais próximas, tenderá a induzir profundas e por vezes dramáticas reformas estruturais em todas as Administrações Públicas europeias, com consequências mais do que previsíveis nos domínios do património cultural, da actividade artística e da educação. Embora sob regimes de regulamentação governamental mais ou menos rígidos, todos estes domínios serão paulatinamente entregues à lógica da produtividade e da rentabilidade do hiper-Capitalismo. Enquanto se completa o ciclo das privatizações dos sectores da banca (falta ainda a Caixa Geral de Depósitos), dos transportes (faltam ainda a TAP, a CP e o Metro), da energia (existem ainda participações públicas nas estruturas accionistas da EDP e da Galp Energia) e das comunicações (falta privatizar os Correios de Portugal, cujo Fundo de Pensões acaba de salvar a face a um Governo sem dinheiro para pagar os subsídios de desemprego!), outros sectores de menor escala e importância vão sucumbindo à mesma lógica liberalizadora: Pousadas de Portugal, administrações hospitalares, e um dia destes, quem sabe, a rede museológica nacional e as principais universidades.
O dilema já nos bateu à porta. Não vale a pena virarmos o nariz para a Lua. Que fazer?

Poderíamos resistir, como o último dos Moicanos, em defesa da actual estrutura museológica. Mas a verdade é que a dita não presta, não cumpre, nem tem os recursos financeiros, organizativos e técnicos para se salvar da vaga privatizadora. Por outro lado, os partidos políticos que pertencem ao chamado arco do poder, há muito que deixaram de decidir sobre as transformações estruturais que atravessam o planeta. O seu poder resume-se apenas à faculdade de travar, ou acelerar, a cadência e os prazos imbuídos nas próprias dinâmicas em curso. Ou seja, o PS que vier depois do actual (se porventura for ele e não outra força partidária a perfilar-se como alternativa ao PSD) não fará nada que impeça a actual lógica das coisas chegar onde quer. E onde esta lógica implacável quer chegar chama-se Estado mínimo.

Ponhamos o problema neste pé: ou nos adiantamos à referida lógica, ou decidimos resistir. Se optarmos pela segunda hipótese, não ganharemos senão pequenas batalhas, e seremos condenados a uma lenta asfixia de todo o sistema museológico e das actividades artísticas mais dependentes da ajuda governamental. Se escolhermos a primeira estratégia, então o melhor seria elaborar desde já uma agenda de discussões sobre o futuro das relações entre, o Estado e os Museus, por um lado, e os Museus e o público, por outro.

A minha hipótese de partida é a seguinte:

A. Assegurar o princípio da não alienação do Património Cultural e Artístico do Estado. Em nenhuma circunstância, e sob nenhum pretexto ou excepção, poderá o Estado proceder à alienação de património cultural e artístico, material ou imaterial, salvo se um Referendo nacional expressamente convocado para o efeito decidir doutro modo.

B. Definir um período transitório de 10 anos com vista a uma privatização da gestão da rede nacional de museus de arte e tecnologia, através da emissão de uma licença de exploração decidida por concurso público internacional. Esta privatização deverá respeitar imperativamente os critérios técnicos e científicos internacionalmente consignados em matéria de conservação, estudo, difusão e circulação dos respectivos acervos.

C. Durante este período deveríamos fazer 4 coisas:

1 - Desenhar uma nova Lei do Mecenato efectivamente favorável ao investimento privado e cooperativo nas artes e actividades culturais;

2 - Concentrar todos os museus nacionais numa única estrutura centralizada, cujo conceito programático deveria transparecer na sua própria designação. Por exemplo: Museu Nacional do Homem, das Artes e das Tecnologias. Não é tão difícil de imaginar quanto isso: lembrem-se das redes de balcões de um banco, ou das redes de estações de serviço de uma multinacional petrolífera...

3 - Abertura dum concurso internacional para a concepção e constituição do Museu Ubíquo de Portugal (MUP), o qual viria a ser a imensa e dinâmica base de dados da nossa cultura material e imaterial acessível por intermédio de múltiplas tecnologias audiovisuais e computacionais (televisão, dvd, web, telemóvel, dispositivos ubíquos, etc.). Depois de implementado, e salvaguardado pelo menos um meio de acesso público gratuito a todos os seus conteúdos, a gestão do MUP deveria ser licenciada através de concurso público internacional devidamente organizado e acautelado.

4 - Criar uma Agência Independente das Artes (onde estejam representados de forma permanente e ajustada os criadores, os produtores, os avaliadores especializados, o mercado e o público), encarregue de apoiar estrategicamente a actividade artística e a sua difusão.
Em vez de assistirmos ao desgaste incessante do actual sistema museológico, falido, improdutivo e ineficiente, poderíamos assim desafiar o actual Governo, e sobretudo as mentalidades bem-pensantes, para um exercício de coragem intelectual e capacidade de acção. Talvez ganhassemos algum do imenso tempo perdido ao longo do século 20. -- ACP

¶ 1:43 AM

sábado, agosto 16, 2003

Nova Iorque apagada

Os piratas da luz: testemunho de Greg Palast .


Roby Bailey © New York TimesO-A-M
blog #7
Sábado, Agosto 16, 2003
img: Roby Bailey © New York Times

O apagão ocorrido ontem nos Estados Unidos e no Canadá, para além de pôr a nu a extrema fragilidade dos sistemas complexos baseados em modelos de interdependência em cascata, e ainda a surpreendente precaridade de uma infra-estrutura tão basilar e ubíqua, como é a energia eléctrica, na grande super-potência, talvez venha a contribuir para um melhor conhecimento da pandilha de fanáticos que actualmente governa a problemática nação americana. Este apagão, como ficamos a saber depois de ler o excelente testemunho de Greg Palast, é uma consequência directa do assalto canino desencadeado pelos apóstolos mais obsessivos da "des-regulamentação" contra o sistema de bens e serviços que qualquer nação deve comandar em nome do interesse público e não do apetite insaciável dos piratas do ultra-liberalismo actualmente instalados com armas e bagagens na Casa Branca. -- ACP

PS - o texto de Greg Palast foi-me remetido por Michael Albert da ZNet.

POWER OUTAGE TRACED TO DIM BULB IN WHITE HOUSE
THE TALE OF THE BRITS WHO SWIPED 800 JOBS FROM NEW YORK, CARTED OFF $90 MILLION, THEN TONIGHT, TURNED OFF OUR LIGHTS

by Greg Palast

I can tell you all about the ne're-do-wells [azelhas] that put out our lights tonight. I came up against these characters -- the Niagara Mohawk Power Company -- some years back. You see, before I was a journalist, I worked for a living, as an investigator of corporate racketeers. In the 1980s, "NiMo" built a nuclear plant, Nine Mile Point, a brutally costly piece of hot junk for which NiMo and its partner companies charged billions to New York State's electricity ratepayers.

To pull off this grand theft by kilowatt, the NiMo-led consortium fabricated cost and schedule reports, then performed a Harry Potter job on the account books. In 1988, I showed a jury a memo from an executive from one partner, Long Island Lighting, giving a lesson to a NiMo honcho on how to lie to government regulators. The jury ordered LILCO to pay $4.3 billion and, ultimately, put them out of business.

And that's why, if you're in the Northeast, you're reading this by candlelight tonight. Here's what happened. After LILCO was hammered by the law, after government regulators slammed Niagara Mohawk and dozens of other book-cooking, document-doctoring utility companies all over America with fines and penalties totaling in the tens of billions of dollars, the industry leaders got together to swear never to break the regulations again. Their plan was not to follow the rules, but to ELIMINATE the rules. They called it "deregulation."
It was like a committee of bank robbers figuring out how to make safecracking legal. But they dare not launch the scheme in the USA. Rather, in 1990, one devious little bunch of operators out of Texas, Houston Natural Gas, operating under the alias "Enron," talked an over-the-edge free-market fanatic, Britain's Prime Minister Margaret Thatcher, into licensing the first completely deregulated power plant in the hemisphere.

And so began an economic disease called "regulatory reform" that spread faster than SARS. Notably, Enron rewarded Thatcher's Energy Minister, one Lord Wakeham, with a bushel of dollar bills for 'consulting' services and a seat on Enron's board of directors. The English experiment proved the viability of Enron's new industrial formula: that the enthusiasm of politicians for deregulation was in direct proportion to the payola provided by power companies.
The power elite first moved on England because they knew Americans wouldn't swallow the deregulation snake oil easily. The USA had gotten used to cheap power available at the flick of switch. This was the legacy of Franklin Roosevelt who, in 1933, caged the man he thought to be the last of the power pirates, Samuel Insull. Wall Street wheeler-dealer Insull creator of the Power Trust, and six decades before Ken Lay, faked account books and ripped off consumers. To frustrate Insull and his ilk, FDR gave us the Federal Power Commission and the Public Utilities Holding Company Act which told electricity companies where to stand and salute. Detailed regulations limited charges to real expenditures plus a government-set profit. The laws banned "power markets" and required companies to keep the lights on under threat of arrest -- no blackout blackmail to hike rates.

Of particular significance as I write here in the dark, regulators told utilities exactly how much they had to spend to insure the system stayed in repair and the lights stayed on. Bureaucrats crawled along the wire and, like me, crawled through the account books, to make sure the power execs spent customers' money on parts and labor. If they didn't, we'd whack'm over the head with our thick rule books. Did we get in the way of these businessmen's entrepreneurial spirit? Damn right we did.

Most important, FDR banned political contributions from utility companies -- no 'soft' money, no 'hard' money, no money PERIOD.

But then came George the First. In 1992, just prior to his departure from the White House, President Bush Senior gave the power industry one long deep-through-the-teeth kiss good-bye: federal deregulation of electricity. It was a legacy he wanted to leave for his son, the gratitude of power companies which ponied up $16 million for the Republican campaign of 2000, seven times the sum they gave Democrats.

But Poppy Bush's gift of deregulating of wholesale prices set by the feds only got the power pirates halfway to the plunder of Joe Ratepayer. For the big payday they needed deregulation at the state level. There were only two states, California and Texas, big enough and Republican enough to put the electricity market con into operation.

California fell first. The power companies spent $39 million to defeat a 1998 referendum pushed by Ralph Nadar which would have blocked the de-reg scam. Another $37 million was spent on lobbying and lubricating the campaign coffers of legislators to write a lie into law: in the deregulation act's preamble, the Legislature promised that deregulation would reduce electricity bills by 20%. In fact, when San Diegans in the first California city to go "lawless" looked at their bills, the 20% savings became a 300% jump in surcharges.

Enron circled California and licked its lips. As the number one life-time contributor to the George W. Bush campaign, it was confident about the future. With just a half dozen other companies it controlled at times 100% of the available power capacity needed to keep the Golden State lit. Their motto, "your money or your lights." Enron and its comrades played the system like a broken ATM machine, yanking out the bills. For example, in the shamelessly fixed "auctions" for electricity held by the state, Enron bid, in one instance, to supply 500 megawatts of electricity over a 15 megawatt line. That's like pouring a gallon of gasoline into a thimble -- the lines would burn up if they attempted it. Faced with blackout because of Enron's destructive bid, the state was willing to pay anything to keep the lights on.

And the state did. According to Dr. Anjali Sheffrin, economist with the California state Independent System Operator which directed power movements, between May and November 2000, three power giants physically or "economically" withheld power from the state and concocted enough false bids to cost the California customers over $6.2 billion in excess charges.
It took until December 20, 2000, with the lights going out on the Golden Gate, for President Bill Clinton, once a deregulation booster, to find his lost Democratic soul and impose price caps in California and ban Enron from the market.

But the light-bulb buccaneers didn't have to wait long to put their hooks back into the treasure chest. Within seventy-two hours of moving into the White House, while he was still sweeping out the inaugural champagne bottles, George Bush the Second reversed Clinton's executive order and put the power pirates back in business in California. Enron, Reliant (aka Houston Industries), TXU (aka Texas Utilities) and the others who had economically snipped California's wires knew they could count on Dubya, who as governor of the Lone Star state cut them the richest deregulation deal in America.

Meanwhile, the deregulation bug made it to New York where Republican Governor George Pataki and his industry-picked utility commissioners ripped the lid off electric bills and relieved my old friends at Niagara Mohawk of the expensive obligation to properly fund the maintenance of the grid system.
And the Pataki-Bush Axis of Weasels permitted something that must have former New York governor Roosevelt spinning in his wheelchair in Heaven: They allowed a foreign company, the notoriously incompetent National Grid of England, to buy up NiMo, get rid of 800 workers and pocket most of their wages - producing a bonus for NiMo stockholders approaching $90 million.

Is tonight's black-out a surprise? Heck, no, not to us in the field who've watched Bush's buddies flick the switches across the globe. In Brazil, Houston Industries seized ownership of Rio de Janeiro's electric company. The Texans (aided by their French partners) fired workers, raised prices, cut maintenance expenditures and, CLICK! the juice went out so often the locals now call it, "Rio Dark."

So too the free-market cowboys of Niagara Mohawk raised prices, slashed staff, cut maintenance and CLICK! -- New York joins Brazil in the Dark Ages.
Californians have found the solution to the deregulation disaster: re-call the only governor in the nation with the cojones to stand up to the electricity price fixers. And unlike Arnold Schwarzenegger, Gov. Gray Davis stood alone against the bad guys without using a body double. Davis called Reliant Corp of Houston a pack of "pirates" --and now he'll walk the plank for daring to stand up to the Texas marauders.

So where's the President? Just before he landed on the deck of the Abe Lincoln, the White House was so concerned about our brave troops facing the foe that they used the cover of war for a new push in Congress for yet more electricity deregulation. This has a certain logic: there's no sense defeating Iraq if a hostile regime remains in California.

Sitting in the dark, as my laptop battery runs low, I don't know if the truth about deregulation will ever see the light --until we change the dim bulb in the White House.


Palast is the author of the New York Times bestseller, "The Best Democracy Money Can Buy" (Penguin USA 2003) and the worstseller, "Democracy and Regulation," a guide to electricity deregulation published by the United Nations (2003, written with T. MacGregor and J. Oppenheim). See Greg Palast's award-winning reports for BBC Television and the Guardian papers of Britain at www.GregPalast.com. Contact Palast at his New York office: media@gregpalast.com.


Another interesting view:
Village Voice
Pataki Policies Put Us at the Blackout Brink
August 20 - 26, 2003
New York's Prince of Darkness by Wayne Barrett

¶ 12:54 AM

sexta-feira, agosto 15, 2003

Cabrita Reis 1

From a dead artist to another (on cynicism issues.)


V.Carvalho por PCR?O-A-M
blog #6
Sexta-feira, Agosto 15, 2003

"Pedro Cabrita Reis is one of the most unique artists in the context of the renewal contemporary sculpture which dates from the middle of the eighties until today." - João Fernandes, Vicente Todoli (commissioner/ Portuguese pavilion), in Venice Biennial's site.

Is he?

Just imagine that Pistolleto presents a 'statue' honoring the Mayor of some little Italian town, say Tara for the purpose of this demonstration. Or that Susana Solano designs a 'monument' honoring the controversial Gil y Gil, ex-President of football team Atletico de Madrid and ex-Mayor of Marbella, the well-known Spanish tourist resort. In terms of pure esthetics, you should also imagine that we are talking about very conventional, "pompier" sculptures. It seems unimaginable doesn't it? Well, it isn't.

Pedro Cabrita Reis (PCR) did it. On June the first, eleven days before the 50th Venice Biennial opened it's many gates to the Press, an incredible monument to one of the most notorious Portuguese conservative Mayors was inaugurated in Maia by the local authorities (a notorious bishop included), some populace and Mr. Cabrita Reis.

José Vieira de Carvalho, died last year, was "elected" in 1973 a deputy member to the "Assembleia Nacional" (a puppet Parliament designed to legitimize the dictatorship). Three years before he was nominated Mayor of the suburban village of Maia by the Government. After the chute of Salazar-Caetano dictatorship, in April 74, Vieira de Carvalho entered the new right wing party CDS, and under that status was elected Maia's Mayor. He perpetuated himself in power 28 consecutive years (until his death), thanks to some oddities of the new Portuguese parliamentary democracy. Actually, some Portuguese local politicians manage to stay in power for decades.

The fact that there is now a noisy, though not very substantial discussion about removing this constitutional "bug", in order to induce more transparency in our democracy and prevent endemic corruption, turns even less tolerable the decision of the City Council to build a Monument to it's Mayor ("the founder of modern Maia" in the new Mayor's commemorative words), and the will of carrying on with it by PCR. The idea is in itself unacceptable (just imagine a statue for each politician in every European corner!). And the form, I mean the ridicule statue, in it's entire submission to the supposed ideological mandate of the client, is intellectually aberrant and artistically null. Modern Maia is the result of 28 years of democracy, and not the work of one dedicated bureaucrat, one resilient politician, one omniscient paterfamilias and one undisputable 'cacique'. It's a collective outcome and not a dubious heroic narrative (which by the way one cannot find no matter how hard one looks into Maia's municipal web site).
In a short note about he's commitment to the Mayor's homage, PCR wrote, "it was a profound challenge set to himself". He also wrote in the same note that "an artist is someone that carries inside him the will and power to brake with any tradition. But this very same vitality would also allow him to make a gesture so wide and deep as to interrogate even the utmost and thrilling novelty, undoing in this way any myth or interdiction." Worsening things up PCR closes he's "author's note" writing this amazing paragraph: "It is from this assumed individual creative liberty, and it's inherent refusal of any political, esthetical or cultural command, that the desire of accepting the invitation to sign this Homage was born." One may wonder if the City Hall was expecting anything less than a realistic and "academic" outcome of such a statement. Words, though, are not enough to disguise this obvious and opportunistic double standard.

How can a so-called contemporary artist show at the same time - in Maia and at Venice Biennial - such completely antagonistic art visions? Which are indeed two decadent versions of 19th century and 20th century art: a reactionary statue honoring a local conservative politician, as if we were living in pre-Rodin days, and some loose installations about nothing (though with a touch of refreshed "arte povera").

The curators Vicente Todolí and João Fernandes, that chose PCR to be the Portuguese representative in Venice Biennial, quoted him as having said or written the following: "I believe that in any art work what is to be perceived is that very particular, brief and silent moment when one experiences Intelligence, an absolute and total Intelligence through which everything comes together".

Is this the very example of the decadence and cynicism in the present art system? Is the fact that nobody saw such a flagrant ethical anomaly (namely the art critics, art journalists and apparatchiks of Portuguese art scene), or cares about such trivialities, already an evidence that the only thing that matters in the so-called art world today is nothing but media coverage and money at all costs?

An artist can prostitute his body, but not his art. -- ACP 

¶ 2:27 AM

segunda-feira, agosto 11, 2003

Soberania ilimitada

A obsessão panóptica do poder imperial.


web cam PhilipsO-A-M
blog #5
Segunda-feira, Agosto 11, 2003

O 11 de Setembro, cujas origens e ocorrência detalhadas estão longe de ser conhecidas, permitiu sobretudo à actual Administração Republicana dos EUA desencadear dois projectos aparentemente inimagináveis: o da soberania imperial ilimitada, que pretende fazer tábua rasa das leis internacionais e nacionais (de qualquer país!) sempre que tal lhe convier; e o do controlo orwelliano da humanidade, a pretexto da evolução das doutrinas estratégicas da defesa e da guerra, e ainda da luta contra o terrorismo. Esta realidade, que porventura não sofrerá recuos significativos depois do Sr. Bush desaparecer do mapa, coloca questões cruciais sobre o futuro imediato da humanidade. Pensemos apenas na associação deste processo de expansão em rede do poder militar e policial norte-americano à escala planetária à anunciada hegemonia química e bio-tecnológica do mesmo país sobre a produção alimentar mundial (através de gigantes tão bestiais quanto a Monsanto). Embora não possamos comparar esta espécie de fascismo panóptico com o Fascismo italiano e o Nazismo alemão, talvez estejamos de facto no início (doce) de um autêntico pesadelo. Numa economia hiper-tecnológica, o emprego será um bem cada vez mais especializado... e escasso. Não parece assim difícil imaginarmos que boa parte dos empregados venham a transformar-se em mero agentes humanos de um Estado Mundial.

A propósito deste tema recomendo duas leituras muito esclarecedoras:

1. Surveillance total, de Ignacio Ramonet

"En el pasado, ningún gobierno había tenido el poder de mantener a sus ciudadanos bajo una vigilancia constante. Ahora la Policía del Pensamiento vigilaba constantemente a todo el mundo". -- GEORGE ORWELL, 1984

Quienes este verano piensen pasar sus vacaciones en Estados Unidos han de saber que en virtud de un acuerdo entre la Comisión Europea y las autoridades federales, la compañía aérea con la que viajen entregará, sin su consentimiento, a las aduanas de Estados Unidos algunas informaciones personales. Incluso antes de que penetren en el avión, las autoridades de Estados Unidos conocerán su nombre, apellido, edad, dirección, números de pasaporte y tarjeta de crédito, estado de salud, preferencias alimentarias (que pueden indicar su religión), viajes anteriores, nombre y edad de quienes les acompañaron, organizaciones que financiaron sus desplazamientos, etc."

Surveillance totale
Vigilancia total
par/por Ignacio Ramonet

2. The Pentagon's Plan for Tracking Everything That Moves, Big Brother Gets a Brain, de Noah Shachtman

"Everything is set for a new Pentagon program to become perhaps the federal government's widest reaching, most invasive mechanism yet for keeping us all under watch. Not in the far-off, dystopian future. But here, and soon.
The military is scheduled to issue contracts for Combat Zones That See, or CTS, as early as September. The first demonstration should take place before next summer, according to a spokesperson. Approach a checkpoint at Fort Belvoir, Virginia, during the test and CTS will spot you. Turn the wheel on this sprawling, 8,656-acre army encampment, and CTS will record your action. Your face and license plate will likely be matched to those on terrorist watch lists. Make a move considered suspicious, and CTS will instantly report you to the authorities.

Fort Belvoir is only the beginning for CTS. Its architects at the Pentagon say it will help protect our troops in cities like Baghdad, where for the past few weeks fleeting attackers have been picking off American fighters in ones and twos. But defense experts believe the surveillance effort has a second, more sinister, purpose: to keep entire cities under an omnipresent, unblinking eye.
This isn't some science fiction nightmare. Far from it. CTS depends on parts you could get, in a pinch, at Kmart."

The Pentagon's Plan for Tracking Everything That Moves
Big Brother Gets a Brain
by Noah Shachtman

¶ 1:41 PM

Fogos 2003

A economia (e a política) do fogo

Para além dos pirómanos de serviço, que são uma excelente diversão para quem manobra a economia dos incêndios, a verdade que parece indelevelmente colada ao inferno de chamas que tem consumido milhares de hectares de floresta ( e mais de uma dezena de vidas humanas) é, uma vez mais, a criminalidade organizada. Directa ou indirectamente, esta criminalidade serve a concentração do capital florestal nas multinacionais da celulose e da pasta de papel, serve os especuladores imobiliários, e até parece servir as debilitadas finanças públicas do País (pois, como referiu uma ilustre comissária europeia, se os prejuízos atingirem 0,6% do PIB, dispara automaticamente um mecanismo de ajuda europeia no valor de muitos milhões de Euros, disponíveis já em Outubro...). Não sei se a avaliação dos estragos já estava feita quando a Senhora burocrata grega disse levianamente o que disse, mas presumo que alguém se encarregará desta aritmética maquiavélica!

Tal como noutros domínios, onde reina a lei da maquinação e o crime, este é um caso que merece uma investigação pública sem precedentes. A cidadania pode e deve criar um Observatório do Fogo, capaz de mapear a complexidade do fenómeno e de detectar as possíveis redes criminosas a ele associadas.
PS - Esta teoria, algo conspirativa, sobre a catástrofe deste Verão, não pretende ocultar duas outras realidades igualmente causadoras dos milhares de incêndios que anualmente afligem as povoações atingidas: a falta de ordenamento do território florestal (onde deve caber a legislação, a dotação de meios técnicos e humanos, a vigilância e a informação pública) e o aquecimento global, responsável por um número crescente de grandes incêndios, dificilmente controláveis, em todo o mundo. Num País densamente florestado como Portugal, mas que por outro lado se encontra pressionado pela desertificação que avança do Norte de África sobre a Península Ibérica e o Sul da Europa em geral, teremos que perspectivar urgentemente todo este problema de uma forma estratégica: com relatórios científicos apropriados, e com um Programa Estratégico Contra a Desertificação, politicamente assumido, não apenas pelos Partidos políticos, mas por toda a Sociedade Civil. -- ACP [actualizado em 17.08.2003]

O-A-M
blog #4
Segunda-feira, Agosto 11, 2003

¶ 1:44 AM

domingo, agosto 10, 2003

Pedofilia

Estratégias perigosas

Até agora a principal defesa de Carlos Cruz, Jorge Ritto e Paulo Pedroso resume-se a um único argumento: não podemos defender os nossos clientes se não soubermos de que são efectivamente acusados! Em volta deste argumento absurdo - pois todo o País sabe quais as suspeitas que recaem sobre os ditos arguidos - levantou-se uma impenetrável cortina de fumo em volta das limitações do nosso sistema judicial (com particular ênfase no famigerado Código do Processo Penal), cujo principal objectivo parece ser a descredibilização simultânea da investigação policial e da instrução do processo acusatório. Entretanto, o episódio das escutas telefónicas acabou por envolver um conjunto inesperado de novos actores nesta perigosa táctica: o actual Secretário-Geral do Partido Socialista, o deputado e ex-Ministro da Justiça António Costa e o próprio Presidente da República! Depois de dar a conhecer a transcrição das escutas que estariam na base da manutenção da medida de prisão preventiva imposta ao seu irmão, João Pedroso, membro suspenso do Conselho Superior da Magistratura, quebrou o seu apreciado silêncio para desferir um ataque fortíssimo contra o Juiz de Instrução responsável pelo Processo da Casa Pia, acusando-o de actos "ilegítimos e ilegais". A situação é grave. E é grave sobretudo por causa da assustadora sensação de existirem forças poderosas e conjugadas apostadas em descredibilizar de qualquer maneira o trabalho da Justiça neste caso. Nem o Juiz Rui Teixeira, nem o Procurador-Geral da República, nem a respectiva Corporação se mostraram, todavia, dispostos a ceder às pressões intoleráveis que sobre eles têm sido feitas. O roubo de documentos da Casa Pia, ocorrido recentemente, pode vir a ser o primeiro episódio da segunda fase da defesa: descredibilizar as principais testemunhas deste Processo. Num caso como este, porém, todas estas tácticas acabarão por se voltar contra os seus promotores (directos e indirectos, a curto e a longo prazo).

Leitura recomendável a propósito das diferenças entre sexo intergeracional, pedofilia e abuso sexual de menores: Harmful to Minors: The Perils of Protecting Children From Sex, by Judith Levine (e a recensão de Paul Demko no City Pages, Burn this Book. - - ACP

OAM n. 3
Domingo, Agosto 10, 2003

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